Quinta-feira, 30 de Julho de 2009

Os riscos da volta da direita


Por Emir Sader, sociólogo, autor da festejada Enciclopédia Latino-Americana

Não subestimar a oposição. Pode ser fatal e facilitar o retorno da direita. Contam com toda a mídia, direção ideológica da direita brasileira. Contam com um candidato que, até agora, mantém a dianteira – e não basta dizer que é recall, porque é muito constante sua votação, o Ciro é recall e despencou nas pesquisas.

Contam com a grana, antes de tudo do grande empresariado paulista. Contam com os votos de São Paulo, que se tornou um estado conservador, egoísta, dominado pela ideologia elitista de 1932, de que são o estado do trabalho e o resto são vagões que a locomotiva tem que carregar. Contam com a despolitização destes anos todos, em que se apóia ao governo Lula, mas uma parte importante prefere, pelo menos até agora, o Serra. Contam com a retração na organização e na mobilização popular. Contam com a imagem de Serra, desvinculada do governo FHC, em que, no entanto, foi ministro econômico durante muito tempo, co-responsável portanto, do Plano Real, das privatizações, da corrupção, das 3 quebras da economia e as correspondentes idas ao FMI, da recessão que se prolongou por vários anos, como decorrência da política imposta pelo FMI e aceita pelo governo.

Conta também com erros do governo, seja na política de comunicação – alimentando as publicidades nos órgãos abertamente opositores, enquanto apóia em proporções muito pequenas os órgãos alternativos, seja estatais ou não. Erros de política de juros alta até bem entrada a crise, atrasando a recuperação da economia. Erros na política de apoio e promoção do agronegócios, em detrimento da reforma agrária, da economia familiar, da auto-suficiência alimentar.

É certo que a oposição não tem discurso que sensibilize ao povo, tanto assim que batem o tempo todo, com seus espaços monopólicos na mídia, mas só conseguem 5% de rejeição ao governo, que tem 80% de apoio. Mas também é certo que o estilo marqueteiro que ganharam todas as campanhas, despolitizam o debate, se Serra se mantiver na liderança das pesquisas, não precisa apresentar propostas, só as imagens maquiadas das “maravilhas” que estaria fazendo em São Paulo, assim como o tom de Aécio de que não é anti Lula, mas pós-Lula, dizendo – como disse e não cumpriu em São Paulo, que manteria os CEUS e outros programas sociais do PT – que vai deixar o que está bom – sempre atribuído ao casalsinho Cardoso.

A direita pode ganhar e se reapropriar do Estado. O governo Lula terá sido um parêntesis, dissonante em muitos aspectos essenciais dos governos das elites dominantes, que retornarão. Ou pode ser uma ponte para sair definitivamente do modelo neoliberal, superar as heranças negativas que sobrevivem, consolidar o que de novo o governo construiu e avançar na construção de um Brasil para todos.


Fonte: Blog do Emir (Agência Carta Maior)

Sábado, 18 de Julho de 2009

Enquanto isso, na Obra em Progresso...


C - Como você compararia o trabalho no “Cê” com o trabalho no “zii e zie”?

R - Em Zii e Zie nós fomos musicalmente um pouco mais ambiciosos que no Cê. O transamba foi levado ao extremo. Cê é o retrato de quando inventamos um jeito de fazer os arranjos baseados nas idéias individuais frente a composição minimalista da banda. Zii e Zie se utiliza desse método,
que continuou se desenvolvendo nos shows e aplica mais claramente ao samba. Em Cê não havia um objetivo estilístico tão definido. Zii e Zie é um disco de samba na medida em que o reinterpreta. Está vivo. É disco de rock pois pega emprestado das bandas de rock um pouco da maneira com que seus integrantes interagem. Assim como o Cê, é um pouco erudito quando se vê que há um forte contraponto entre frases rítmicas e melódicas bem definidas.

A Base de Guantánamo


Caetano Veloso

o fato de os americanos desrespeitarem os direitos humanos em solo cubano é por demais forte simbolicamente para eu não me abalar

a base de Guantánamo
a base da Baía de Guantánamo
a base de Guantánamo
Guantánamo

Quase hais


Os quase hais que não foram gestados neste blog estão sendo inventados no "meu Twitter".

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Profusão de versos leminskianos


Abrindo um antigo caderno
foi que eu descobri:
Antigamente eu era eterno.

*

Tarde de vento.
Até as árvores
querem vir para dentro.


*

SE

se
nem
for
terra
se
trans
for
mar

*

A noite me pinga
uma estrela no olho
e passa.


*


INCENSO FOSSE MÚSICA

isso de querer ser
exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

*

nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

*

AMOR BASTANTE

quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto

*


PARADA CARDÍACA

Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.

Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.

*

ATRASO PONTUAL

Ontens e hojes, amores e ódio,
adianta consultar o relogio?
Nada poderia ter sido feito,
a não ser o tempo em que foi lógico.
Ninguém nunca chegou atrasado.
Bençãos e desgraças
vem sempre no horário.
Tudo o mais é plágio.
Acaso é este encontro
entre tempo e espaço
mais do que um sonho que eu conto
ou mais um poema que faço?

*


DESENCONTRÁRIOS

Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.

*

RAZÃO DE SER

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

*

Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

*


não discuto
com o destino

o que pintar
eu assino


Paulo Leminski

Leituras para o Verão


By José Saramago

Com os primeiros calores, já se sabe, é fatal como o destino, jornais e revistas, e uma vez por outra alguma televisão de gostos excêntricos, vêm perguntar ao autor destas linhas que livros recomendaria ele para ler no Verão. Tenho-me furtado sempre a responder, porquanto considero a leitura actividade suficientemente importante para dever ocupar-nos durante todo o ano, este em que estamos e todos os que vierem. Um dia, perante a insistência de um jornalista teimoso que não me largava a porta, resolvi ladear a questão de uma vez por todas, definindo o que então chamei a minha "família de espírito", na qual, escusado será dizer, faria figura de último dos primos. Não foi uma simples lista de nomes, cada um deles levava a sua pequena justificação para que melhor se entendesse a escolha dos parentes. Incluí nos Cadernos de Lanzarote a imagem final da "árvore genealógica" que me tinha atrevido a esboçar e repito-a aqui para ilustração dos curiosos. Em primeiro lugar vinha Camões porque, como escrevi em O Ano da Morte de Ricardo Reis, todos os caminhos portugueses a ele vão dar. Seguiam-se depois o Padre António Vieira, porque a língua portuguesa nunca foi mais bela que quando a escreveu esse jesuíta, Cervantes, porque sem o autor do Quixote a Península Ibérica seria uma casa sem telhado, Montaigne, porque não precisou de Freud para saber quem era, Voltaire, porque perdeu as ilusões sobre a humanidade e sobreviveu ao desgosto, Raul Brandão, porque não é necessário ser um génio para escrever um livro genial, o Húmus, Fernando Pessoa, porque a porta por onde se chega a ele é a porta por onde se chega a Portugal (já tínhamos Camões, mas ainda nos faltava um Pessoa), Kafka, porque demonstrou que o homem é um coleóptero, Eça de Queiroz, porque ensinou a ironia aos portugueses, Jorge Luis Borges, porque inventou a literatura virtual, e, finalmente, Gogol, porque contemplou a vida humana e achou-a triste.
Que tal? Permitam-me agora os leitores uma sugestão. Organizem também a sua lista, definam a "família de espírito" literária a que mais se sentem ligados. Será uma boa ocupação para uma tarde na praia ou no campo. Ou em casa, se o dinheiro não deu para férias este ano.

Fonte: Blog do Saramago

Domingo, 12 de Julho de 2009

Pausa


Darei uma pausa nas postagens.
Retorno depois do dia 12 de julho.
Boa leitura a todos.

Uma sugestão? Flaubert. Leiam ele todo, começando por Madame Bovary (1857). Tanto pela interessante história, quanto (mais ainda, e principalmente) pela técnica narrativa deste gênio do romance moderno.

Domingo, 5 de Julho de 2009

Não mais vislumbrar


Querer-te, apenas.
Talvez isso me bastasse,
se soubesse que,
te tendo,
poderia não mais vislumbrar
o mistério de tua ausência em mim!

Hálito


Teu felino sorriso. O frescor de tua pele.
Teus dentes alvos na cana. O hálito.
Os cabelos como os de Giberte, em Swann.
Você, mulher, já.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Escritora do mês: Nélida Piñon



Filha de Lino Piñon Muiños e Olivia Carmen Cuiñas Piñon, espanhóis de origem galega. Seu nome é um anagrama do nome do avô, Daniel.

Formou-se em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e foi editora e membro do conselho editorial de várias revistas no Brasil e exterior. Também ocupou cargos no conselho consultivo de diversas entidades culturais em sua cidade natal.

Estreou na literatura com o romance Guia-mapa de Gabriel Arcanjo, publicado em 1961, que tem como temas o pecado, o perdão e a relação dos mortais com Deus.

Nélida Piñon é, também, académica correspondente da Academia das Ciências de Lisboa.

Bibliografia e prêmios

Sua obra já foi traduzida em inúmeros países, tendo recebido vários prêmios ao longo de mais de 35 anos de atividade literária. O mais recente foi o Prêmio Príncipe de Asturias das Letras de 2005, conferido na cidade espanhola de Oviedo. Concorreram a este prêmio escritores de fama mundial, como os norte-americanos Paul Auster e Philip Roth, e o israelense Amos Oz; ao todo, mais de dezesseis países estavam representados no concurso.

Fonte: Wiki

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Capa de Zii e Zie, do CV


Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Lula, segundo Obama


Parece que agora os EUA de fato estão se tornando um país decente.

Segundo Obama, com presidentes como Bachelet e Lula "podemos mostrar aos demais países que a democracia, o respeito à propriedade privada, o império da lei (...) não é só uma agenda americana, mas uma maneira inteligente de melhorar a prosperidade para os próprios povos".

Para ele, "o presidente Lula tem uma orientação política muito diferente da maioria dos americanos; surgiu do movimento sindical e era visto como um forte esquerdista."

"Acontece que, apesar de manter relações com toda a América Latina, realizou todos os tipos de reformas de mercado inteligentes que fizeram o Brasil prosperar", insistiu o presidente americano.

Fonte: Yahoo! Notícias (com adaptações deste blog).

Kianceta




Ela era "branca". Agora não quer mais voltar para a "civilização".
(Em um dos episódios da genial HQ Ken Parker.)

Sábado, 20 de Junho de 2009

Trailler do filme "Lula, o filho do Brasil"


L2 - Literatura & Leituras


Sérgio de Sá


"Não é função do escritor explicar o que escreve ou organizar excursões, como um guia turístico, através da região mais difícil de sua obra"
Ernest Hemingway (1899-1961), escritor norte-americano


Poemas que dançam

O próximo livro da poeta Cristina Bastos tem o provisório título de Verso bailarino. Fora de grupos, outsider natural, Cristina escreve ao sabor dos dias. "Gosto mesmo é de versejar", diz ela. "Esse é meu ofício. Com alegria e respeito, trato meu trabalho de poeta andarilha... ainda que na toca."

Cristina conta o saber dos dias para fazer 50 anos, assim como a cidade que habita. Os poemas vão ficando prontos (já são 200). São versos de existência simples, mas de releitura sempre incorporadora. Experimentar voltar sobre o efeito é correr o risco de encontrar o próprio corpo embalado em dúvida, disposto a compartilhar a ocupação do espaço (sideral).

A coluna festeja a nova produção. E antecipa seis poemas saídos da ponta de um lápis tranquilamente pontiagudo, da safra nada sôfrega da autora de Decerto deserto (1992) e Veia (2002):

1

Hoje vi a lua
imensa
não havia ontem

Agora não há lua
imenso
é o céu negro

já,
escrevo

e aqui
quem está?

2

Não me persigo
em nenhum canto

Tudo transmuta
em segundos

Sou tonta
se me busco

Sou onde estou
girando com o mundo

3

medito

a parede nua
revela
o que não encarei

4

Se fosse
tudo que sei

o que sei
não escreveria,

ser
me bastaria

5

Se o vazio
é meu tema

não há
por que temer
falta de assunto,

há um mundo
no vazio que teço

sem tantos
termos
ditos

6

Grandes elefantes!

Sabem quando deitar
seus ossos
do ofício



Figura poética

Há 50 anos, o crítico literário Roberto Schwarz publicou um livro de poesia: Pássaro na gaveta. Saiu pela pequena e brava editora Massao Ohno, com capa de Fernando Odriozola e desenhos de Lourival Gomes Machado, Mario Neme e Sergio Milliet. A produção poética continuaria em Corações veteranos, de 1974.

Reproduzo o mais curto dos textos, um dos dois poemas do livro de estreia intitulados "Figuração":

Não te explico.
Te figuro: para além do pejo
na fronteira de desejo e sol
ave num só pé
a bailarina desapareceu
na graça grave do castiçal

Garça e castiçal
será preciso dizer mais?



O homem deslocado

Leio com entusiasmo "O texto tatuado", o capítulo do romance da série Amores Expressos que Sérgio Sant´Anna escreve para a Companhia das Letras. Foi publicado no número 4 da revista Granta. Além de anunciar que vem coisa boa por isso, faz pensar no conto A mulher-cobra, publicado no livro A senhorita Simpson, de 1989. Se antes o personagem-escritor estava em Bruxelas, na Bélgica, ele agora vai ao encontro da, vamos dizer assim, mulher-texto, a mulher-Kafka, em Praga, na República Tcheca. Ambas tatuadas (textos e imagens), ambas espetáculo diante do qual se senta para admirar, ambas objeto de desejo, ambas encantam os olhos do espectador deslocado, em viagem de reconhecimento. Uma diferença básica é a presença acachapante da metalinguagem no conto e mais a dúvida da autoria no trecho do romance. Sempre Sérgio Sant'Anna (ou Serge) no controle conceitual, muitas vezes autorreflexivo, muitas vezes solto na rédea narrativa.


Mínimas

  • Buenos Aires foi eleita pela Unesco a Capital Mundial do Livro em 2011.

  • A semana teve o Bloomsday (16 de junho), o dia de Leopold Bloom, o célebre personagem do Ulisses de James Joyce.

  • Um livro inédito de Juan Carlos Onetti será publicado em breve, para comemorar os 100 anos de nascimento (1º de julho) do escritor uruguaio, que morreu em 1994. Chama-se El último viernes ("A última sexta-feira") e foi encontrado pela filha de Onetti. Segundo Maria Isabel, o caderno com o manuscrito ficou esquecido no apartamento em que Onetti viveu no bairro de San Telmo, em Buenos Aires.

  • O poeta mineiro Affonso Ávila será homenageado na próxima quarta-feira, dia 24, às 19h30, no auditório da Biblioteca Nacional de Brasília. Ávila é dono de obra bastante respeitável.

  • Anote o nome do romance de que todos falam: Pornopopéia, de Reinaldo Moraes. Pela recepção crítica inicial, parece ser um desses títulos que marcam época. A ver, a ler.

  • Fonte: Correio Braziliense, 20.06.09

    Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

    Prece às estrelas (etnia autora desconhecida)



    Tracce nel Vento (Rastos no Vento), pesquisa de Giancarlo Berardi e ilustrações de Ivo Milazzo, são as palavras e escritos dos índios da América. Essa seção foi publicada na primeira série de Ken Parker (jun/1977-mai/1984) e republicada na KP Raccolta (jun/1984-jan/1986) e KP Serie Oro (mai/1989-ago/1994).
    Foram apenas 18 inserções, mas que deixaram saudades nos fãs de Rifle Comprido, pela simplicidade (e profundidade) de um código moral considerado primitivo.
    Os versos da série Rastos no Vento eram publicados nas segundas-capas de Ken Parker, em preto e branco. São espécies de quase hais dos povos indígenas dos EUA, valendo-me do neologismo que ousei inventar.
    São puro néctar. Que publicarei aqui, semanalmente uma pérola a mais, toda sexta-feira, colorizada por um artista goiano, amante dos quadrinhos! (Ficou fantástico o trabalho dele!).

    * Com auxílio de informações do blog Ken Parker

    Fonte da imagem: Blog Ken Parker, colorizado por Alexandre Mastrella, ilustrador, dono de estúdio de animação em Catalão, interior de Goiás.

    Um pouco do gênio de Flaubert


    O Ville-de-Montereau, pronto para partir, fumegava com toda a sua força diante do cais Saint-Bernard. Chegava gente ofegante; barricas, cabos, cestos de roupa impediam a circulação; os marinheiros não respondiam a ninguém; todos se acotovelavam; os volumes entre os tambores amontoavam-se; e o barulho se absorvia no ronco do motor, que, lançando fumaça pelas chapas de ferro, envolvia tudo num nevoeiro esbranquiçado, enquanto a sineta de proa tocava sem parar. Enfim o navio partiu; e as duas margens, cheias de armazéns, canteiros e fábricas, deslizaram como duas largas faixas que desenrolamos. [...] Através do nevoeiro, contemplava os campanários, os edifícios cujo nome desconhecia; com um último olhar, envolveu a Ilha de Saint-Louis, a Cité, Notre-Dame; e, Paris desaparecendo, soltou um grande suspiro.

    Gustave Flaubert
    A educação sentimental

    Fanatismo


    Para você!

    FANATISMO

    Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
    Meus olhos andam cegos de te ver!
    Não és sequer a razão do meu viver,
    Pois que tu és já toda a minha vida!

    Não vejo nada assim enlouquecida...
    Passo no mundo, meu Amor, a ler
    No misterioso livro do teu ser
    A mesma história tantas vezes lida!

    "Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
    Quando me dizem isto, toda a graça
    Duma boca divina fala em mim!

    E, olhos postos em ti, digo de rastros:
    "Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
    Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."

    Florbela Espanca - Livro de Soror Saudade (1923)

    Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

    Um comentário na Folha


    Que País é este?

    Você sabia?

    1. - Um motorista do Senado ganha mais para dirigir o automóvel funcional de um Senador, do que um oficial da Marinha ganha para pilotar uma fragata de algumas centenas de milhões de dólares.
    2. - Um ascensorista da Câmara Federal, ganha bem mais para "pilotar" os elevadores da casa, do que um oficial da Força Aérea que precisa de anos de treinamento para pilotar um caça Mirage.
    3. - Um "diretor" que comanda a garagem do Senado, ganha muito mais do que um Oficial-General do Exército, que comanda todo um regimento de veículos blindados.
    4. - Um "diretor sem diretoria" (...deve ser back-up de diretor...) do Senado, ganha mais do que o dobro que recebe um professor universitário federal concursado, com mestrado, doutorado e com prestígio internacional...

    Comentário de um leitor da Folha Online

    Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

    BRIC


    No New York Times:

    "Os líderes de algumas das mais poderosas economias mundiais estão reunidos nesta terça-feira para discutir como exercer maior controle sobre o sistema financeiro mundial, enquanto dão os vacilantes primeiros passos em direção à recuperação. Nem os norte-americanos nem os europeus ocidentais estão no encontro. A primeira reunião de cúpula do chamado grupo BRIC - Brasil, Rússia, Índia e China - foi destinada a sublinhar a crescente força econômica destes quatro grandes países em desenvolvimento, e a exigência de maior voz no mundo."

    Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

    Lawrence Ferlinghetti


    Para quem não foi viciado na coleção "Circo de Letras", da Editora Brasiliense, publicada na década de 80, como fui (e gastava o salário de boy do Banco do Brasil - e não recursos públicos, como hoje se faz - para comprar os exemplares de poesias e daquela prosa psicodélica), segue um poema de Lawrence Ferlinghetti.

    Quanto ao poeta, aí esta o Google, enciclopédia global e temor de nações mundo afora (tal o domínio da informação), para que saibam mais a respeito dele:

    Café Notre Dame

    Uma espécie de trauma sexual
    prende um casal abismado
    Ele está segurando as duas mãos dela
    nas suas
    Ela está beijando as mãos dele
    Estão olhando-se
    nos olhos
    de muito perto
    Ela tem um casaco de peles
    feito duma centena de coelhos correndo
    Ele
    tem um casaco clássico sombrio
    e calças cinza-de-pardo
    Agora estão a examinar as palmas
    das mãos um do outro
    como se fossem mapas de Paris
    ou do mundo
    como se estivessem à procura do Metro
    que os levasse juntos
    através dos caminhos subterrâneos
    através das «estações do desejo»
    até ao terminal do amor
    até às portas da cidade-luz
    É um caso sem saída
    e estão perdidos
    nas linhas cruzadas
    das suas palmas enlaçadas
    suas linhas de cabeça e linhas de coração
    suas linhas de sorte e linhas de vida
    ilegíveis e misturadas
    no mons veneris
    da sua paixão


    Postado por mim, africanóide (como noventa por cento dos brasileiros somos, embora neguemos) e enviesado escriba, localizado na periferia da cultura do mundo. Ora residindo em Aracaju, bela cidade nordestina, na primeira décima parte do século 21.

    Domingo, 14 de Junho de 2009

    "Mas você acha Velvet Underground tão coesamente autêntico no sentimento quanto o Stooges?"


    De vez em vez acesso a Obra em Progresso, de Caetano Veloso.
    Impressiona-me a verve e a criatividade do bom baiano.

    Algumas pérolas de uma conversa dele com Pedro:

    "E emocional e esteticamente, como você se identifica? Se você é mais blues, se é mais cool – e quais os guitarristas que mais te inspiram no seu gosto, você pode admirar mais um mas gostar mais de outro…"

    "Mas você acha Velvet Underground tão coesamente autêntico no sentimento quanto o Stooges?"

    "Eu me identifico muito com Miles Davis. Admiro muito ele mas acho ele assim."

    "Quando alguém quer botar seu trabalho para competir com os outros nos Estados Unidos, ele já parte de um nível alto de exigência na fatura que o brasileiro não se impõe. Isso pode ser reflexo das responsabilidades da sociedade americana, que em tudo se esforçou para realizar o melhor que possa. Há uma coisa bonita nessa responsabilidade americana. Mas isso também pode distanciar daquilo que se quer atingir através do apuro técnico, que é o espírito íntimo da música. O que eu vou dizer pode, no fim, confirmar a observação de Melvin Gibbs, mas os americanos desenvolveram também um desrespeito à exigência da fatura muito mais do que nós. Quando eles já estavam gravando Bob Dylan, os Stooges etc., aqui ainda pedíamos desculpas para gravar Nelson Cavaquinho. E se exigia uma aparência de qualidade no acabamento. Digo porque quando lancei o “Muito” a crítica ficou irada, dizendo que era feito no fundo do quintal – e demonstrando deslumbramento com discos que parecessem produzidos. Ou seja, os americanos têm uma coragem de desrespeitar a fatura muito maior do que a nossa. Bob Dylan gravava com a voz de Pato Donald, errava o tempo, quebrava os compassos. Eu aqui, nem me deixavam tocar violão em meus discos. Só depois que eu voltei de Londres. Os americanos parecem que estão dizendo: nós podemos fazer muito mais bem feito o mal feito do que vocês, do que qualquer um. É uma coisa engraçada porque parece com a questão da arte moderna. Você pede a uma pessoa: “desenha-me um carneiro” e pode ser que a pessoa saiba desenhar um carneirinho. Mas na arte contemporânea é capaz de a maioria dos artistas plásticos não saberem desenhar um carneiro. Mas você vê uma ilustração na New Yorker, com traço aparentemente ingênuo, tosco, mas de propósito, cê vê que aquilo é sofisticação. Enquanto aqui alguém tenta fazer um traço destro."

    Sábado, 13 de Junho de 2009

    Ternas ventanias nos afaguem


    Dentro em breve quero falar-lhe, abraçado a você, numa noite chuvosa, após o passeio na orla:

    Você é o perfume suave do meu mundo.
    Uma rede que me embala quando perco o caminho.

    Você é como o orvalho,
    o ruído da chuva nos telhados das casas do campo
    e a borboleta na primeira semana da primavera.

    Uma revolução sacude-me a alma,
    e nem mesmo um Rei ousará impugnar
    a eclosão de risos, a aturdida alegria e a paz que me toma e que eu tenho por te ter!

    Um tesouro: as pétalas que surgem
    a cada toque,
    tato,
    fala,
    silencioso olhar — o teu olhar: ouro e mel!

    Ternas ventanias sopradas pelas cabeleiras da noite,
    acima do oceano,
    nos afaguem.

    Dentro em breve quero mirar seus olhos tempestuosos e felinos e dizer-lhe:
    "Meu amor!"

    Moulin Rouge


    Depois de anos, só ontem vi "Moulin Rouge" (Moinho Vermelho, em francês). O filme é impressionante - uma estética inovadora, um enredo simples e ao mesmo tempo denso, dramático, belo. Foi descoberta uma outra maneira de contar uma história de amor, enfim.

    A Globo tem lá seus momentos de lucidez, apesar do horário: vi o filme das duas às quatro da madrugada.

    Para quem aos quinze emocionava-se com "Cantando na chuva", ver Nicole Kidman interpretando canções pop ("Like a Virgin", por exemplo), num ambiente noir, o filme foi um achado fantástico.

    Procurei críticas na internet. Não gostei de nenhuma. Não acertaram. Não captaram a leveza do filme. O segredo está no enredo-canção, nos movimentos, nas cores (há um quê de Cirque du Soleil no Moulin Rouge ou talvez haja muito daquele neste, é por aí).

    A história se passa em 1899 e gira em torno de um jovem poeta, Christian, que desafia a autoridade do pai ao se mudar para Montmartre, em Paris, considerado um lugar amoral, boêmio e onde todos são viciados em absinto. Lá, ele é acolhido por Toulouse-Lautrec e seus amigos, cujas vidas são centradas em Moulin Rouge, um salão de dança, um clube noturno e um bordel (mas cheio de glamour) de sexo, drogas, eletricidade e - o que é ainda mais chocante - de cancan. É então que Christian se apaixona pela mais bela cortesã do Moulin Rouge, Satine.

    Para a Wiki, "Moulin Rouge é um cabaret tradicional, construído no ano de 1889 por Josep Oller, que já era proprietário anteriormente do Paris Olympia. Situado na zona de Pigalle no Boulevard de Clichy, ao pé de Montmartre, em Paris, França. É famoso pela inclusão no terraço do seu edifício de um grande moinho vermelho. O Moulin Rouge é um símbolo emblemático da noite parisiense, e tem uma rica história ligada à boémia da cidade.

    Desde há mais de cem anos que o Moulin Rouge é lugar de 'visita obrigatória' para muitos turistas. O Moulin Rouge continua a oferecer na atualidade uma grande variedade de espectáculos para todos aqueles que querem evocar o ambiente boémio da Belle Époque e que ainda está presente no interior da sala de espectáculos. Não obstante, o estilo e o nome do Moulin Rouge de Paris foram imitados por muitos clubes de variedades e salas de espectáculos em todo o mundo.

    A sala, as bailarinas e os seus frequentadores constituem um dos temas preferidos na obra do pintor Henri de Toulouse-Lautrec."

    L2 - Literatura & leituras


    Sérgio de Sá



    "A literatura produz leitores, os grandes textos são os que fazem mudar o modo de ler"
    Ricardo Piglia (1940), escritor argentino



    Justiça
    Zuleika de Souza/CB/D.A Press - 27/3/05


    O assunto que dominou os blogues literários da semana não foi a decisão da Petrobras de extinguir o furo jornalístico ou desinstitucionalizar a imprensa, mas o processo por danos morais que a escritora gaúcha Leticia Wierzchowski (foto) decidiu mover contra o blogueiro Milton Ribeiro, que comentou de maneira bastante ácida texto assinado por ela no jornal Zero Hora. Com duvidoso gosto, Ribeiro reescreveu o sobrenome da autora de A casa das sete mulheres (pouparei os leitores de repeti-lo aqui). Minha opinião é simples: percam tempo com coisas sérias e levem-se menos a sério. O mundo terá mais chances de ser divertido.

    J.D. Salinger também esteve em voga na blogosfera por decidir processar a editora sueca Nicotext, que anunciou a publicação de 60 years later: coming through the rye, uma continuação do excepcional O apanhador no campo de centeio assinada por um sujeito de pseudônimo John David California. A pergunta básica do livro: o que teria acontecido a Holden Caulfield após os eventos narrados por Salinger e quando ele chega à velhice? Ou os advogados querem sempre se dar bem e manter o nome do escritor na mídia ou Salinger é mesmo um chato de galocha, recluso e impertinente. No Brasil, seria parecido à família de Graciliano Ramos querer processar Silviano Santiago pelo romance Em liberdade. Disparate.

    Fonte: Correio Braziliense

    Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

    Lula conduz Brasil a novo papel mundial


    Presidente Lula em entrevista à Reuters no Palácio da Alvorada em Brasília.

    Quando um líder radical de um sindicato com pouca escolaridade se tornou presidente do Brasil em 2003, muitos acharam que o gigante adormecido da América Latina havia atirado no próprio pé novamente.

    Os mercados financeiros haviam desabado no ano anterior diante da perspectiva de ter Luiz Inácio Lula da Silva à frente da economia, e especialistas de Wall Street temiam que o pior ainda estava por vir.

    A resposta de Lula foi lembrar investidores, em seu estilo popular que já virou marca registrada, que nem todo barbudo é um "comunista".

    "Eles esquecem que Jesus Cristo tinha barba", disse Lula.

    Sete anos depois, Lula assume seu lugar em um encontro das principais forças emergentes na próxima semana na Rússia sem precisar disputar seu papel como o salvador para a economia do Brasil e a sua posição global.

    Em casa, sua política econômica conservadora superou há muito o pânico de investidores, enquanto programas sociais que ajudaram a tirar cerca de 19 milhões de pessoas da pobreza têm garantido índices de aprovação invejáveis, acima de 80 por cento.

    O boom econômico de cinco anos, alimentado pelas exportações de commodities e por uma diplomacia habilidosa, e o charme do presidente, que funciona bem tanto em fóruns mundiais quanto em favelas do Rio de Janeiro, têm ajudado a transformar o Brasil em uma força diplomática e uma liderança do mundo em desenvolvimento.

    Em entrevista à Reuters na quarta-feira, Lula elencou uma lista de nações onde ele foi o primeiro presidente brasileiro a visitar desde o século 19, afirmando que sua diplomacia tem por objetivo expandir oportunidades para a economia do país.

    "Nos negócios, nós temos que encontrar novos parceiros e as oportunidades que existem. Nós temos feito isso por seis anos e o resultado tem sido extraordinário", disse o presidente.

    Livre de grandes preocupações com segurança --diferentemente de seus parceiros do "Bric" (Rússia, China e Índia)-- Lula, de 63 anos, expandiu o papel do Brasil aparentemente sem criar inimigos.

    "Ele aproveitou todas as oportunidades que estavam aparecendo", afirmou Richard Bourne, pesquisador sênior do Institute of Commonwealth Studies, de Londres, e autor de um livro sobre Lula.

    "Ele veio para ser encarado como um jogador sério, mas não somente ele: o Brasil despertou como um jogador sério."

    INVESTIGANDO A HISTÓRIA DE VIDA

    É uma grande mudança de 2002, quando economistas e gestores de fundos disseram que Lula seria um desastre para a economia e seus opositores apontavam que a falta de instrução e de habilidade com a língua inglesa seriam desastrosos para a estatura diplomática brasileira.

    A grande questão era se o Brasil seguiria o mesmo caminho que a Argentina, que enfrentava grave crise econômica após declarar calote de sua dívida.

    Em 2006, o Brasil já tinha antecipado a quitação de sua dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e esta semana anunciou um empréstimo de 10 bilhões de dólares à instituição. As políticas econômicas ortodoxas de Lula geram críticas de membros do seu partido PT, mas claramente garantiram estabilidade econômica.

    No ano passado, o Brasil obteve o grau de investimento das agências de classificação de risco Standard & Poor's e Fitch e o país superou o pior da crise financeira global.

    Lula também tem usado seu magnetismo, empenho e impressionante história de vida --o sétimo filho de uma família pobre, que perdeu um dedo em um torno mecânico na fábrica e se tornou o primeiro líder brasileiro de origem operária.

    "O problema do Brasil no passado sempre foi, mesmo quando a economia ia bem, o fato de ser um país tão desigual, sem fundamentos morais para o seu desejo de ter algum nível de influência internacional", afirmou Peter Hakim, presidente da Inter-American Dialogue em Washington.

    "A eleição de Lula e sua habilidade de governar mostraram a vibração do Brasil", acrescentou.

    Lula tem tirado vantagem dessa boa vontade com uma política externa imperativa que o viu visitar 75 países e abrir 33 embaixadas, 14 delas na África, como parte de uma agenda "sul-sul".

    Ele tem liderado esforços dos países em desenvolvimento pelo fim dos subsídios agrícolas, tem se engajado mais em negociações climáticas globais e assumido um papel preponderante na demanda dos países em desenvolvimento por maior influência em meio à crise financeira.

    Multinacionais, como Petrobras e Vale, têm prosperado durante o governo Lula, ajudando a expandir os investimentos e influência brasileiros na América Latina e no mundo.

    Um agenda igualmente frenética no Brasil, onde ele visita favelas, inaugura obras públicas e tem um programa semanal de rádio, tem ajudado a manutenção da sua popularidade.

    "Seu carisma e habilidade de mobilizar a classe pobre tem sido notável", disse Kenneth Maxwell, diretor do Programa de Estudos sobre o Brasil no Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Harvard.

    TIRANDO VANTAGEM DA CRISE

    Maxwell afirmou que Lula e sua equipe chegaram ao poder esperando mais uma crise financeira dado o histórico de turbulências no Brasil, o que os levou a evitar projetos grandiosos e a aumentar as reservas internacionais. Isso deixou seu governo em boa situação quando a crise financeira abateu o mercado doméstico no ano passado.

    Depois de um começo gaguejante, quando, com um otimismo exagerado, disse que a crise chegaria ao Brasil como uma "marolinha", Lula tem mostrado sua capacidade de tirar vantagem de situações ruins.

    Ele tem aproveitado para assumir uma posição contra o status quo da economia global, apoiando medidas para impulsionar o papel do G20 ampliado e trabalhando pela primeira reunião do Bric, que ocorrerá na próxima semana.

    Críticos apontam que Lula tem problemas em lidar com problemas crônicos do Brasil, como burocracia excessiva, ineficiência de gastos públicos e corrupção, que abalou fortemente seu governo com o escândalo do Mensalão de 2005.

    "Ele nunca foi um homem de detalhes, e essa é uma de suas grandes fraquezas", disse Bourne, do Institute of Commonwealth Studies.

    Mas uma medida do sucesso de Lula é que agora é a perspectiva de que ele deixará o poder que causa nervosismo. Ele não pode concorrer a um terceiro mandato nas eleições de 2010 e nenhum dos seus possíveis sucessores parecem capazes de igualar seu carisma.

    Hakim, da Inter-American Dialogue, afirmou que o Brasil tem muita sorte por ter tido dois líderes sucessivos que muitos consideram os presidentes eleitos de maior êxito na história da América Latina. O antecessor de Lula, Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), também foi um líder respeitado mundialmente, que preparou o caminho para Lula com reformas econômicas cruciais.

    "O que vai acontecer quando o Brasil tiver um líder comum? Eu não sei", disse Hakim. "A política é muito errática no Brasil e é muito difícil lidar com ela."(Reuters USA- Por: Stuart Grudgings)



    Fonte: Blog Os Amigos do Presidente Lula

    Trilha sonora de Moulin Rouge


    1. Nature Boy - David Bowie
    2. Lady Marmalade - Lil Kim / Christina Aguilera / Pink / Mya
    3. Because We Can - Fatboy Slim
    4. Sparkling Diamonds - Nicole Kidman / Jim Broadbent / Caroline O'Connor/ Natalie Mendonza / Lara Mulcahy
    5. Rhythm of the Night - Valeria
    6. Your Song - Ewan McGregor / Alessandro Safina
    7. Children of the Revolution - Gavin Friday / Bono / Maurice Seezer
    8. One Day I'll Fly Away - Nicole Kidman
    9. Diamonds Dogs - Beck
    10. Elephant Love Medley - Ewan McGregor / Nicole Kidman / Jamie Allen
    11. Come What May - Ewan McGregor / Nicole Kidman
    12. El tango de Roxanne - Ewan Mcgregor / Jose Feliciano / Jacek Koman
    13. Complainte de la butte - Rufus Wainwright
    14. Hindi Sad Diamonds - John Leguizamo / Nicole Kidman / Alika Yagnik
    15. Nature Boy - Massive Attack / David Bowie
    16. Your Song (instrumental) - From The "rehearsal Montage" Scene - Craig Armstrong
    17. Sparkling Diamonds (original film version) - Nicole Kidman / Jim Broadbent / Caroline O' Connor / Natalie Mendonza / Lara Mulcahy
    18. One Day I`ll Fly Away (Tony Phillips Remix) - Nicole Kidman
    19. The Pitch (Spectacular Spectacular) (original film version) - Ewan Mcgregor / John Leguizamo / Nicole Kidman / Jim Broadbent / Richard Roxburgh / Jacek Koman / Garry Macdonald / Matthew Whittet
    20. Come What May (original film version) - Ewan Mcgregor / Nicole Kidman
    21. Like a Virgin (original film version) - Jim Broadbent / Richard Roxburgh / Anthony Weigh
    22. Meet Me in the Red Room (original film version) - Amiel
    23. Your Song (instrumental) From The "after The Storm" Scene - vários
    24. The Show Must Go On (original Film Version)- Nicole Kidman / Jim Broadbent / Anthony Weigh
    25. Ascension / Nature Boy - From The "Death and Ascension" Scene - Ewan Mcgregor
    26. Bolero (original film version) - Simon Standage
    27. In The Name Of Love - U2

    No céu (Chippewa)



    Tracce nel Vento (Rastos no Vento), pesquisa de Giancarlo Berardi e ilustrações de Ivo Milazzo, são as palavras e escritos dos índios da América. Essa seção foi publicada na primeira série de Ken Parker (jun/1977-mai/1984) e republicada na KP Raccolta (jun/1984-jan/1986) e KP Serie Oro (mai/1989-ago/1994).
    Foram apenas 18 inserções, mas que deixaram saudades nos fãs de Rifle Comprido, pela simplicidade (e profundidade) de um código moral considerado primitivo.
    Os versos da série Rastos no Vento eram publicados nas segundas-capas de Ken Parker, em preto e branco. São espécies de quase hais dos povos indígenas dos EUA, valendo-me do neologismo que ousei inventar.
    São puro néctar. Que publicarei aqui, semanalmente uma pérola a mais, toda sexta-feira, colorizada por um artista goiano, amante dos quadrinhos! (Ficou fantástico o trabalho dele!).

    * Com auxílio de informações do blog Ken Parker

    Fonte da imagem: Blog Ken Parker, colorizado por Alexandre Mastrella, ilustrador, dono de estúdio de animação em Catalão, interior de Goiás.

    Pedaço do céu (Otomi)



    Tracce nel Vento (Rastos no Vento), pesquisa de Giancarlo Berardi e ilustrações de Ivo Milazzo, são as palavras e escritos dos índios da América. Essa seção foi publicada na primeira série de Ken Parker (jun/1977-mai/1984) e republicada na KP Raccolta (jun/1984-jan/1986) e KP Serie Oro (mai/1989-ago/1994).
    Foram apenas 18 inserções, mas que deixaram saudades nos fãs de Rifle Comprido, pela simplicidade (e profundidade) de um código moral considerado primitivo.
    Os versos da série Rastos no Vento eram publicados nas segundas-capas de Ken Parker, em preto e branco. São espécies de quase hais dos povos indígenas dos EUA, valendo-me do neologismo que ousei inventar.
    São puro néctar. Que publicarei aqui, semanalmente uma pérola a mais, toda sexta-feira, colorizada por um artista goiano, amante dos quadrinhos! (Ficou fantástico o trabalho dele!).

    * Com auxílio de informações do blog Ken Parker

    Fonte da imagem: Blog Ken Parker, colorizado por Alexandre Mastrella, ilustrador, dono de estúdio de animação em Catalão, interior de Goiás.

    Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

    Mudança no título do blog


    Quase hai volta a ser Quase hai.

    A expressão quase hai, neologismo que inventei, vem de hai cai. Mas considerei, por um momento, que, se nem mesmo amigos pronunciavam corretamente o hai (hai = "rai"), então também para acessar o blog não devia ser fácil. Mas meia dúzia de leitores reclamaram. E torna o blog ao nome antigo.

    Atualizado em 22.05.09: o endereço continua, portanto, quasehai.blogspot.com.

    Ritual, em 1988, em Brasilia


    Quando cheguei em Brasília, em 1988, vindo do interior da Bahia, noviço, as FMs explodiam a bela canção "Eduardo e Monica", da Legião Urbana, com sua inconfundível e gostosa batida. Entrei em transe. Queria saber que banda era aquela, queria saber tudo sobre os caras.

    Dias depois comprei o disco novo do Cazuza, "Só se For a Dois", e pude ouvir "Ritual". Estava ali o poema-pós-Caetano de tantos versos densos. Durante dias eu ouvia a canção, relia a letra, cantarolava, cantarolava.

    É um poema beat, puríssimo! Senão, comprovem:

    RITUAL

    Pra que sonhar
    A vida é tão desconhecida e mágica
    Que dorme às vezes do teu lado
    Calada
    Calada

    Pra que buscar o paraíso
    Se até o poeta fecha o livro
    Sente o perfume de uma flor no lixo
    E fuxica
    Fuxica

    Tantas histórias de um grande amor perdido
    Terras perdidas, precipícios
    Faz sacrifícios, imola mil virgens
    Uma por uma, milhares de dias

    Ao mesmo Deus que ensina a prazo
    Ao mais esperto e ao mais otário
    Que o amor na prática é sempre ao contrário
    Que o amor na prática é sempre ao contrário

    Ah, pra que chorar
    A vida é bela e cruel, despida
    Tão desprevenida e exata
    Que um dia acaba

    A vida e a amada


    "Minha vida que não me ama, minha amada que não me quer. Seduzo as duas." Jack Kerouac

    Terça-feira, 9 de Junho de 2009

    Dilma dá aula de Petrobras


    Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

    Por que os jornais investem contra o blog da Petrobras?


    por Luiz Carlos Azenha

    1) Porque perdem o "monopólio da informação" e, com isso, autoridade sobre o público;

    2) Porque os leitores agora podem saber quais são TODAS AS PERGUNTAS feitas pelos jornais à Petrobras;

    3) Porque comparando todas as perguntas feitas pelos jornais e todas as respostas dadas pela Petrobras com o que é efetivamente publicado os leitores podem descobrir as manipulações feitas com as respostas no processo de edição;

    4) Porque essa comparação permite ao público descobrir quais as respostas da Petrobras serão simplesmente omitidas do jornal impresso para não "atrapalhar" a pauta;

    5) Porque comparando as perguntas feitas pelos diferentes jornais, o público pode entender que há gente alimentando simultaneamente os jornais com informações em busca de levantar a bola para a CPI;

    6) Porque as perguntas fornecem pistas sobre quem está alimentando os jornais com o objetivo de criar o "escândalo" necessário ao sucesso do palanque eleitoral da CPI;

    7) Porque essas pistas poderão levar o público a descobrir que os jornais são usados em campanhas eleitorais ou com objetivos inconfessáveis, como o de entregar o pré-sal a empresas estrangeiras;

    8) Porque o blog da Petrobras desloca público do jornal impresso para a internet, onde o público poderá receber informações, por exemplo, sobre como a grande imprensa brasileira atacou Getúlio Vargas quando ele criou a Petrobras;

    9) Porque todo esse processo pode deixar claro que a grande imprensa não é isenta, nem imparcial, nem honesta; que diz não ter lado, mas tem; que está a serviço de "uma causa", assim como esteve quando fez campanha contra a criação da Petrobras ou em favor do golpe militar de 1964;

    10) Porque eles ainda não sairam do século 20.

    Vá ao blog da Petrobras e contribua com a investigação dos jornais

    É por isso que o Viomundo apóia o controle social dos gastos de publicidade de governos, órgãos e empresas públicas.

    Fonte: Vi o mundo

    Sábado, 6 de Junho de 2009

    Sophia de Mello Breyner Andresen*


    Liberdade

    Aqui nesta praia onde
    Não há nenhum vestígio de impureza,
    Aqui onde há somente
    Ondas tombando ininterruptamente,
    Puro espaço e lúcida unidade,
    Aqui o tempo apaixonadamente
    Encontra a própria liberdade.

    As Rosas

    Quando à noite desfolho e trinco as rosas
    É como se prendesse entre os meus dentes
    Todo o luar das noites transparentes,
    Todo o fulgor das tardes luminosas,
    O vento bailador das primaveras,
    A doçura amarga dos poentes,
    E a exaltação de todas as esperas.

    Poesia

    Se todo o ser ao vento abandonamos
    E sem medo nem dó nos destruímos,
    Se morremos em tudo o que sentimos
    E podemos cantar, é porque estamos
    Nus em sangue, embalando a própria dor
    Em frente às madrugadas do amor.
    Quando a manhã brilhar refloriremos
    E a alma possuirá esse esplendor
    Prometido nas formas que perdemos.

    Poeta portuguesa, aureolada com o Prêmio Camões de 1999.

    L2 - Literatura & Leituras

    Sérgio de Sá
    sergio.sa@terra.com.br


    "Estou convencido de que os livros são tão vivos e tão vigorosamente fecundos quanto aqueles dentes de dragão da fábula"
    John Milton (1608-1678), poeta, orador e político inglês


    Alvim, inédito
    Edilson Rodrigues/CB/D.A Press - 23/7/03
     

    Com a generosidade que lhe é habitual, o poeta Francisco Alvim aceitou o convite para mostrar inéditos na coluna, que se enche de orgulho com isso. Da nova safra, confiram o que Chico intitulou como "Dois poemas e um comentário":

    SEU IMPRESTÁVEL
    para Vilma

    – Mando amanhã
    – Não quero mais


    UM CHURRASCO

    Não foi desmarcado

    Ela já estava muito velhinha
    e muito doentinha


    SONDERKOMMANDO

    É tudo uma questão de hábito, de costume


    Tezza e Terron

    Tempo de polêmicas, proibições. O governo de Santa Catarina recolheu 130 mil exemplares do livro Aventuras provisórias, de Cristóvão Tezza, que deveriam ser distribuídos a estudantes do ensino médio. Motivo: professores ficaram chocados com partes do romance, que tem palavrão e sexo. Mas por que escolheram a obra, afinal?

    Já o poema "Manual de autoajuda para supervilões" foi parar na manchete principal do jornal Agora São Paulo: "Livro entregue à 3ª série sugere estupro e drogas". Fora a leitura bastante reducionista do texto de Joca Reiners Terron, a pergunta retorna: mas, afinal, por que escolheram a obra para ser lida por crianças?

    É tudo uma questão de leitura, com diversas hipóteses. Os responsáveis pelas escolhas não leram direito ou, no caso do romance de Tezza, não imaginavam o tamanho do conservadorismo lá na ponta. No poema de Terron, erraram o público-alvo mesmo. Ainda assim, ler o texto em chave direta e realista é de um equívoco supremo. Os professores não parecem mesmo preparados para ler junto com os alunos, que são menos inocentes do que se imagina.

    O lado positivo das histórias: a indiferença em relação à literatura não é tão indiferente assim. Quando a gente acreditava que ela andava morta, ressuscita para incomodar. E essa é uma de suas nobres funções: tirar o receptor da apatia, do conformismo. Literatura serve para sacudir o coreto. Mas sem brincar com o dinheiro público. O governo catarinense gastou pouco mais de R$ 1,5 milhão com o romance de Tezza. Agora, distribui o volume a quem aceitar de bom grado.


    SP

    O Prêmio São Paulo de Literatura, destinado apenas a romances, divulgou as duas listas dos finalistas com o que foi considerado o melhor do ano de 2008 e que concorrem a R$ 200 mil, em cada categoria.

    Se fizermos uma comparação com os 50 primeiros finalistas do Portugal Telecom (que mistura gêneros, é bom frisar), temos a coincidência de oito títulos entre os não estreantes (Lívia Garcia-Roza e Walther Moreira Santos não estão no PT) e apenas um entre os estreantes (Contardo Calligaris, coincidentemente o único autor da Companhia das Letras). No gênero romance, a lista do PT traz dois estreantes (Evando Nascimento e Rodrigo de Souza Leão) que não estão no SP. Primeira conclusão óbvia: é mais difícil haver consenso quando o nome do autor ainda não se estabeleceu no imaginário do leitor, quando a assinatura ainda não significa mais do que a obra em si.

    Os não estreantes
    1) Galiléia, de Ronaldo Correia de Brito (Objetiva).
    2) Milamor, de Lívia Garcia-Roza (Record).
    3) Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum (Companhia das Letras).
    4) O livro dos nomes, de Maria Esther Maciel (Companhia das Letras).
    5) Acenos e afagos, de João Gilberto Noll (Record).
    6) Flores azuis, de Carola Saavedra (Companhia das Letras).
    7) Heranças, de Silviano Santiago (Rocco).
    8) O ciclista, de Walther Moreira Santos (Autêntica Editora).
    9) A viagem do elefante, de José Saramago (Companhia das Letras).
    10) Manual da paixão solitária, de Moacyr Scliar (Companhia das Letras).

    Os estreantes
    1) A parede no escuro, de Altair Martins (Record).
    2) O conto do amor, de Contardo Calligaris (Companhia das Letras).
    3) Nunca o nome do menino, de Estevão Azevedo (Terceiro Nome).
    4) O arroz de Palma, de Francisco Azevedo (Record).
    5) Imóbile, de Javier Arancibia Contreras (7Letras).
    6) Peixe morto, de Marcus Vinicius de Freitas (Autêntica Editora).
    7) O mundo segundo Laura Ni, de Maria Cecília Gomes dos Reis (Editora 34).
    8) Rita no pomar, de Rinaldo Fernandes (7Letras).
    9) Zé, Mizé, camarada André, de Sérgio Guimarães (Record).
    10) O verão do Chibo, de Vanessa Barbara e Emilio Fraia (Objetiva).


    Camões

    Este ano, o prêmio dos governos do Brasil e de Portugal foi para o poeta cabo-verdiano Arménio Vieira (1941), que recebe 100 mil euros. Salvo engano, não temos nada dele publicado no Brasil.
     
    * Fonte: Correio Braziliense


    Veja quais são os assuntos do momento no Yahoo! + Buscados: Top 10 - Celebridades - Música - Esportes

    Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

    Amor de índio


    Tudo o que move é sagrado
    E remove as montanhas
    Com todo o cuidado, meu amor.
    Enquanto a chama arder,
    Todo dia te ver passar,
    Tudo viver ao teu lado
    Com o arco da promessa
    No azul pintado pra durar.

    No inverno te proteger,
    No verão sair pra pescar,
    No outono te conhecer,
    Primavera poder gostar
    No destino que se cumpriu
    De sentir teu calor e ser todo,
    Todo dia é de viver
    Para ser o que for e ser tudo.

    Sim, todo amor é sagrado
    É o fruto do trabalho
    É mais que sagrado, meu amor.
    A massa que faz o pão
    Vale a luz do teu suor
    Lembra que o sono é sagrado
    E se alimenta de horizontes
    O tempo acordado de viver.

    No inverno te proteger
    No verão sair pra pescar,
    No outono te conhecer,
    Primavera poder gostar.
    No estio me derreter
    Pra na chuva dançar e andar junto
    O destino que se cumpriu
    De sentir teu calor e ser tudo.

    Abelha fazendo o mel
    Vale o tempo que não voou
    A estrela caiu do céu
    O pedido que se pensou
    No destino que se cumpriu
    De sentir teu calor e ser todo
    Todo dia é de viver
    Para ser o que for e ser tudo
    Para ser o que for...
    Pra viver...

    Beto Guedes e Ronaldo Bastos

    Eu e você caminharemos



    Fonte: Blog Ken Parker, colorizado por Alexandre Mastrella, ilustrador, dono de estúdio de animação em Catalão, interior de Goiás.

    Rastos no vento


    Tracce nel Vento (Rastos no Vento), pesquisa de Giancarlo Berardi e ilustrações de Ivo Milazzo, são as palavras e escritos dos índios da América. Essa seção foi publicada na primeira série de Ken Parker (jun/1977-mai/1984) e republicada na KP Raccolta (jun/1984-jan/1986) e KP Serie Oro (mai/1989-ago/1994).

    Foram apenas 18 inserções, mas que deixaram saudades nos fãs de Rifle Comprido, pela simplicidade (e profundidade) de um código moral considerado primitivo.

    Os versos da série Rastos no Vento eram publicados nas segundas-capas de Ken Parker, em preto e branco. São espécies de quase hais dos povos indígenas dos EUA, valendo-me do neologismo que ousei inventar.

    São puro néctar. Que publicarei aqui, semanalmente uma pérola a mais, toda sexta-feira, colorizada por um artista goiano, amante dos quadrinhos! (Ficou fantástico o trabalho dele!).

    * Com auxílio de informações do blog Ken Parker

    Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

    A caixa-preta da mídia parva


    "Creio que é desnecessário lembrar o papel central que essa emissora [a Globo] desempenhará a partir da instalação da CPI da Petrobrás. Dela, como de outros grandes veículos, partirão informações truncadas, inverídicas, mal apuradas, mas de inequívoca importância para uma oposição que precisa de munição para manter seu espetáculo. A caixa-preta midiática , mais uma vez, mostrará seu padrão de qualidade." (Gilson Caroni, professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso - Facha, no Rio de Janeiro)

    Leitura obrigatória: Blog da Petrobras


    Imperdível.

    Fatos e Dados.

    Este é o blog da Petrobras, em resposta aos covardes ataques da mídia antipatriótica, que apoia a CPI eleitoreira criada pela oposição ao Governo Lula para desestabilizá-lo. Não medem esforços em sua tentativa, mesmo que isto custe arranhar seriamente a imagem da mais sólida empresa brasileira!

    A apresentação diz a que veio o inédito blog:

    "Aqui você verá fatos e dados recentes da Petrobras e o posicionamento da empresa sobre as questões relativas à Comissão Parlamentar de Inquérito. Leia, comente e divulgue para seus amigos."

    A edição de Ken Parker mais esperada!




    KEN PARKER de Berardi & Milazzo é o 3º volume de uma nova coleção voltada à arte sequencial, nas bancas italianas desde o último 06 de março. Trata-se de Os Mestres dos Quadrinhos (I Maestri del Fumetto), luxuosos volumes cartonados, 190 páginas, formato 21,5 X 29 cm, dedicados a alguns dos maiores autores dos quadrinhos mundiais. Com o padrão de qualidade Arnoldo Mondadori Editore é uma iniciativa de dois importantes jornais italianos, Panorama e Il Sole 24 Ore.

    Rifle Comprido está muito bem representado por LAR DOCE LAR (colorização de Marco Soldi) e o ciclo IL RESPIRO E IL SOGNO (reúne FILHOTES, A LUA DA MAGNÓLIA EM FLOR, SOLEADO e PÁLIDAS SOMBRAS), a obra-prima de seus autores. Um breve texto abre a edição.

    Fonte: Blog Ken Parker

    Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

    El Pais: Obama quiere que Lula sea el próximo presidente del Banco Mundial


    El presidente estadounidense habría propuesto al mandatario brasileño según fuentes cercanas a las dos presidencias

    El presidente estadounidense, Barack Obama, está interesado en que el Banco Mundial, después de la crisis financiera actual, tenga una estructura más volcada en las políticas sociales y más preocupada por los países más pobres del planeta. Para ello, Obama habría propuesto al presidente brasileño, el ex metalúrgico, Luiz Inácio Lula da Silva, a quien define como "el político más popular del mundo". Leia mais aqui.

    Terça-feira, 2 de Junho de 2009

    Amor meu grande amor


    Se essa nostálgica canção de Ana Terra já é belíssima na voz de Ângela Rorô, o que dizer então na interpretação rouca e forte do leader band do Barão Vermelho, Robeto Frejat?


    Amor, meu grande amor
    Não chegue na hora marcada
    Assim como as canções
    Como as paixões
    E as palavras...

    Me veja nos seus olhos
    Na minha cara lavada
    Me venha sem saber
    Se sou fogo
    Ou se sou água...

    Amor, meu grande amor
    Me chegue assim
    Bem de repente
    Sem nome ou sobrenome
    Sem sentir
    O que não sente...

    Pois tudo o que ofereço
    É, meu calor, meu endereço
    A vida do teu filho
    Desde o fim, até o começo...

    Amor, meu grande amor
    Só dure o tempo que mereça
    E quando me quiser
    Que seja de qualquer maneira...

    Enquanto me tiver
    Que eu seja
    O último e o primeiro
    E quando eu te encontrar
    Meu grande amor
    Me reconheça...

    Pois tudo que ofereço
    É, meu calor, meu endereço
    A vida do teu filho
    Desde o fim até o começo...

    Amor, meu grande amor
    Que eu seja
    O último e o primeiro
    E quando eu te encontrar
    Meu grande amor
    Por favor, me reconheça...

    Pois tudo que ofereço
    É, meu calor, meu endereço
    A vida do teu filho
    Desde o fim até o começo...

    Ken Parker na Turquia




    Capa do episódio CRÔNICAS (KP 37 – 1ª série) publicado na Turquia em janeiro de 2000 pelo selo Aksoy Yayincilik. Formato bonelliano, 98 páginas e a arte original de Milazzo ocupa a primeira e quarta capas. Destaque para o azul intenso que substitui o tradicional fundo branco das edições italianas e que valoriza o logotipo da revista e o título da história. No Brasil, a Editora Vecchi fez uso do mesmo recurso em alguns números de sua coleção KEN PARKER (33, 34, 35, 36, 37, 38, 40, 41, 43, 44, 45, 47 e 49), mas sem obter o mesmo resultado.


    Fonte: Blog Ker Parker

    Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

    Imagem do mês: Luci Collin




    Escritora curitibana, professora de Literaturas de Língua Inglesa e Tradução Literária na UFPR, Luci Colllin é autora de livros de poesia como Estarrecer, Espelhar, Esvazio, Ondas e Azuis, Poesia Reunida e Todo Implícito; e dos volumes de contos Lição Invisível, Precioso Impreciso, Inescritos e Vozes num Divertimento, recém-lançado pela Travessa dos Editores.

    Domingo, 31 de Maio de 2009

    O que os pusilânimes querem entregar com a CPI desleal à Pátria!


    Sábado, 30 de Maio de 2009

    Lila dit ça - 1


    O labirinto de Borges


    Edição bilíngue reúne sete livros de poesias de um dos gigantes da literatura universal



    Alexandre Pilati
    Especial para o Correio
    Companhia das Letras/Divulgação
    Poesia — Jorge Luis Borges
    Tradução de Josely Vianna Baptista. Companhia das Letras, 648 páginas, R$ 65.
    No poema "Um lobo", de Jorge Luis Borges, há uma imagem fortíssima, na qual vemos o faro para o mistério e o movimento típico do poeta que logrou ser maior que a própria literatura nacional onde surgiu. Os versos a seguir iniciam o poema, que encontra-se em Os conjurados, livro de 1985: "Furtivo e cinza, na penumbra última,/ vai deixando as suas pegadas na margem/ deste rio sem nome que lhe saciou/ a sede da garganta e cujas águas não repetem estrelas. Esta noite/ o lobo é uma sombra que está só". Uma hipótese bem plausível para a leitura desse emaranhado de obscuridade é a de que estamos diante de uma figuração da própria empreitada poética de Borges, especialmente em sua fase madura. Embora lobo, não o flagramos na violência da ação predatória, mas no caminhar furtivo e cinza do animal entre a penumbra. Caminhar que, todavia, deixa marcas por onde quer que passe. O signo da sombra estende-se sobre o texto e retira a ênfase a tudo. Mais do que símbolo evidente, a sombra é lógica imanente do poema, pois está na sintaxe, no léxico, na fonética, no hiato lírico que se estabelece entre poeta e lobo. Este e aquele compactuam com a penumbra. Tudo, até o texto, portanto, é escuridão e o lirismo de Borges não mais espelha estrelas. Mas é aí que se verá o seu vigor — na permanência da pergunta. Metapoema sobre os limites do fazer poético? Canto negativo em tom equilibradamente tenso? Preparação serena para o fim, para a morte? A indagação assombra, sem resposta; o enigma impõe-se ao poema e à análise: Borges é o lobo do homem.

    A sombra, a partir do que de relance vimos acima, estende-se como um estigma sobre os versos do argentino e se configura como um dos signos fundamentais dos livros de poemas do "tempo de madureza" do Borges poeta. Tais livros agora são reunidos no volume Poesia — Jorge Luis Borges (2009), que integra a coleção Biblioteca Borges, da editora Companhia das Letras. Seja bem-vinda esta edição bilíngue que reúne sete livros de poesia do autor, publicados originalmente entre 1969 e 1985. A edição dá sequência ao projeto de publicação das obras do bruxo portenho e, de modo especial, completa uma mirada ampla sobre sua poesia, estabelecendo um contraponto à já publicada Primeira poesia (Companhia das Letras, 2007), que apresenta uma reunião de livros de poemas publicados nos anos 1920. No contraponto, entre as frestas dos versos, quando postas especularmente face a face, madureza e juventude poética revelam dois Borges que vivificam o problema do qual sua poesia é a mais inquietante configuração. Um problema no seu caso enfrentado com o talento e a coragem que separam o grande autor do mistagogo.

    Sendo o gênero lírico aquele que mais nevralgicamente apresenta a dimensão das contradições, é na Poesia madura de Borges que seu problema se impõe como um inexorável desafio crítico. No conjunto de textos, cuja primeira coletânea remete a um não tão longínquo assim 1969. Nesta altura do século, digamos com risco de tautologia: Borges já era Borges. Mais do que isso: Borges sabia bem o que era ser Borges. Para alguns, talvez até para ele mesmo, isso quereria dizer um perfeito exemplar da pós-modernidade. Borges chegara a ser, assim, o próprio estilo clássico-moderno que seria preciso copiar pela plena poesia da maturidade, cujo destino estaria já traçado e acabado. Notemos que esse caráter de acabamento é assumido pelo próprio projeto editorial, que considera esta produção madura "a" poesia borgeana, acabada, perfeita como um "aleph", enquanto a dos anos iniciais não passaria de "primeira poesia", momento de aprendizado, cujo horizonte seria uma futura superação. Tudo como a ocupar lugar em certa equação mística que sempre impôs algum véu à leitura do poeta argentino.

    Essa poesia madura apresenta traços, em termos de conteúdo ostensivo e estrutura aparente, que confirmam o "mito Borges", recontado por ele mesmo. Estão ali elementos como a escavação genealógica do gênio do poeta; o culto do homem de letras cosmopolita, cujo mundo (último e primeiro) é a biblioteca e seu emaranhado de labirintos; a literatura que se reforça e se exibe como desvencilhada das práticas sociais; uma originalidade que se apoia fortemente nos meandros impalpáveis, mas não menos fascinantes, do terreno do inefável. Tudo isso são feixes que atravessam não apenas a expectativa dos leitores de Borges acerca de sua obra, como também o tônus poético cosmopolita que a custo ele próprio forjara e que ele sabia ser absolutamente necessário replicar, a fim de dar continuidade a um projeto de universalização do ponto de vista literário periférico sob o signo da "espiritualização da poesia". Diríamos, mais uma vez, que aqui se trata de uma pauta "pós-moderna" — aquela a que os livros de poemas publicados entre 1969 e 1985 respondem, reforçando a posição da literatura de Borges como uma espantosa e mágica epifania do supranacional canônico.

    Entretanto, é curioso como essa poesia, pós-moderna em relação ao próprio argentino, ganha ainda mais vida e impõe ainda mais labirintos sob o prisma enunciado pelo crítico italiano Alfonso Berardinelli. Segundo ele, a pós-modernidade de Borges é "carregada de história e é ambientada familiarmente numa tradição secular, tornada de novo acessível em todas as direções", isso ainda que o poeta, no prólogo à sua Antologia pessoal, reconhecesse que o que mais poderia perturbá-lo e envergonhá-lo seria a presença da "cor local" em sua obra. A avaliação de Berardinelli parece contraditória em relação ao objetivo, reforcemos sempre, muito bem-sucedido de Borges de aderir a uma linguagem poética de superação do localismo e de uma diluição delibera no cosmopolitismo. No entanto, ela é coerente com a premissa crítica de que uma linguagem (por pura e inefável que seja) não se forja senão dentro de condições históricas. É na fenda das contradições deste mistério (bem mais palpável) que se monta a poesia madura de Borges, levando-nos a leituras bem mais labirínticas do que aquelas que compram de cara o jogo de cosmopolitismo ostensivo do autor.

    No prisma das contradições entre local e particular, serão melhor aproveitados os mistérios de uma voz lírica que diz sobre sua cidade: "O que será Buenos Aires?/ [...] É o cômodo da Biblioteca, no qual descobrimos, por volta de 1957, a língua dos ásperos saxões, a língua da coragem e da tristeza". E também aproveitaremos o dilacerado resgate efetuado pelo olhar do homem culto e refinado do grande símbolo nacional, desparticularizado, alçado à condição dolorida do isolamento humano à ocidental em "O gaúcho": "Foi tantos e hoje é uma quieta/ Peça que move a literatura". Um tipo sobretudo humano, que nunca teria dito, segundo o poeta, "sou gaúcho", mas que se integrou ao cosmos pela mais funda solidão humana. Este movimento de tensões, entre o cosmopolita e o nacional, é o tema da crítica Beatriz Sarlo. "Não existe escritor mais argentino do que Borges: ele se indagou, como ninguém, sobre a forma de fazer literatura numa das margens do Ocidente", diz Sarlo em Jorge Luis Borges — Um escritor na periferia.

    Artefato místico
    A poesia como artefato místico é um dos elementos dessa necessidade ocidentalizante dos versos de Borges, que, no entanto, não perde a noção de que um poeta trabalha sempre em "seu minucioso labirinto inútil". O reforço do elemento etéreo do ocidente não deixa de ser também um sintoma de que o poeta junta cacos de mitos, na tentativa, malograda sempre, de restituir ao mundo da alienação e da reificação os elementos do sagrado. Um sagrado que, no poeta argentino, sempre é mundano, pois consciente de que "a vida não é um sonho, mas pode/ chegar a ser um sonho", num verso em que cita Novalis.

    As ilusões de Borges não compactuam com o ilusionismo fácil. Elas emanam de um grande autor que na poesia soube como poucos exibir o encantamento poético num molde que não elide as exigências da contraditória realidade periférica. Sobre a obra de Borges, o brasileiro Ferreira Gullar faz uma curiosíssima afirmação: "Entendo que a realidade é às vezes tão insuportável que a gente só pensa em escapar dela. Borges é isso. E é bem latino-americano. Mas como a malária". Este é o labirinto latino-americano que as leituras de reforço ao mundo místico de Borges rejeitam, quiçá por temor. Um temor de encontrar-se com o ponto de partida histórico (seria impróprio sonhar com luta de classes?) dessa elaboração poética de imenso valor (latino-americana como a malária?). Temor de ver, nesse ponto de vista, um espelho que devolve interrogação e alteridade a quem o contempla. Perguntemos, então, com Borges: "Por que persistes, incessante espelho?".

    DOIS POEMAS

    Elegia da pátria
    De ferro, não de ouro, foi a aurora.
    Forjaram-na um porto e um deserto,
    Mais uns tantos senhores e o aberto.
    Espaço elementar de ontem e agora.
    Veio depois a guerra com o godo.
    Sempre o valor e sempre a vitória.
    O Brasil e o tirano. Aquela história
    Desenfreada. O todo pelo todo.
    Datas vermelhas dos aniversários,
    Pompas de mármore, árduos monumentos
    E pompas de palavra, parlamentos,
    Centenários e sesquicentenários,
    São apenas a cinza, a menor flama
    Dos vestígios de uma antiga chama.

    De A moeda de ferro (1976)

    ***

    A soma

    Ante a cal de uma parede que nada
    nos impede de ver como infinita
    um homem assentou-se e premedita
    traçar com rigorosa pincelada
    na alva parede o universo cabal:
    portas, balanças, tártaros, jacintos,
    anjos e bibliotecas, labirintos,
    âncoras, o infinito, o zero, Uxmal.
    Povoa de formas a parede. A sorte,
    que curiosos dons reparte o gosto,
    permite-lhe dar fim a sua porfia.
    No momento preciso de sua morte
    descobre que essa vasta algaravia
    de linhas é a imagem de seu rosto

    De Os conjurados (1985)

    Alexandre Pilati é doutor em literatura brasileira e poeta, autor de Prafóra (7Letras, 2007)
    Fonte: Correio Braziliense, 30.05.2009


    Terça-feira, 19 de Maio de 2009

    Brasil Nação, de Azenha