Por Emir Sader, sociólogo, autor da festejada Enciclopédia Latino-Americana
Não subestimar a oposição. Pode ser fatal e facilitar o retorno da direita. Contam com toda a mídia, direção ideológica da direita brasileira. Contam com um candidato que, até agora, mantém a dianteira – e não basta dizer que é recall, porque é muito constante sua votação, o Ciro é recall e despencou nas pesquisas.
Contam com a grana, antes de tudo do grande empresariado paulista. Contam com os votos de São Paulo, que se tornou um estado conservador, egoísta, dominado pela ideologia elitista de 1932, de que são o estado do trabalho e o resto são vagões que a locomotiva tem que carregar. Contam com a despolitização destes anos todos, em que se apóia ao governo Lula, mas uma parte importante prefere, pelo menos até agora, o Serra. Contam com a retração na organização e na mobilização popular. Contam com a imagem de Serra, desvinculada do governo FHC, em que, no entanto, foi ministro econômico durante muito tempo, co-responsável portanto, do Plano Real, das privatizações, da corrupção, das 3 quebras da economia e as correspondentes idas ao FMI, da recessão que se prolongou por vários anos, como decorrência da política imposta pelo FMI e aceita pelo governo.
Conta também com erros do governo, seja na política de comunicação – alimentando as publicidades nos órgãos abertamente opositores, enquanto apóia em proporções muito pequenas os órgãos alternativos, seja estatais ou não. Erros de política de juros alta até bem entrada a crise, atrasando a recuperação da economia. Erros na política de apoio e promoção do agronegócios, em detrimento da reforma agrária, da economia familiar, da auto-suficiência alimentar.
É certo que a oposição não tem discurso que sensibilize ao povo, tanto assim que batem o tempo todo, com seus espaços monopólicos na mídia, mas só conseguem 5% de rejeição ao governo, que tem 80% de apoio. Mas também é certo que o estilo marqueteiro que ganharam todas as campanhas, despolitizam o debate, se Serra se mantiver na liderança das pesquisas, não precisa apresentar propostas, só as imagens maquiadas das “maravilhas” que estaria fazendo em São Paulo, assim como o tom de Aécio de que não é anti Lula, mas pós-Lula, dizendo – como disse e não cumpriu em São Paulo, que manteria os CEUS e outros programas sociais do PT – que vai deixar o que está bom – sempre atribuído ao casalsinho Cardoso.
A direita pode ganhar e se reapropriar do Estado. O governo Lula terá sido um parêntesis, dissonante em muitos aspectos essenciais dos governos das elites dominantes, que retornarão. Ou pode ser uma ponte para sair definitivamente do modelo neoliberal, superar as heranças negativas que sobrevivem, consolidar o que de novo o governo construiu e avançar na construção de um Brasil para todos.
Fonte: Blog do Emir (Agência Carta Maior)
Quinta-feira, 30 de Julho de 2009
Os riscos da volta da direita
Sábado, 18 de Julho de 2009
Enquanto isso, na Obra em Progresso...
C - Como você compararia o trabalho no “Cê” com o trabalho no “zii e zie”?
R - Em Zii e Zie nós fomos musicalmente um pouco mais ambiciosos que no Cê. O transamba foi levado ao extremo. Cê é o retrato de quando inventamos um jeito de fazer os arranjos baseados nas idéias individuais frente a composição minimalista da banda. Zii e Zie se utiliza desse método,
que continuou se desenvolvendo nos shows e aplica mais claramente ao samba. Em Cê não havia um objetivo estilístico tão definido. Zii e Zie é um disco de samba na medida em que o reinterpreta. Está vivo. É disco de rock pois pega emprestado das bandas de rock um pouco da maneira com que seus integrantes interagem. Assim como o Cê, é um pouco erudito quando se vê que há um forte contraponto entre frases rítmicas e melódicas bem definidas.
A Base de Guantánamo
Caetano Veloso
o fato de os americanos desrespeitarem os direitos humanos em solo cubano é por demais forte simbolicamente para eu não me abalar
a base de Guantánamo
a base da Baía de Guantánamo
a base de Guantánamo
Guantánamo
Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
Profusão de versos leminskianos
Abrindo um antigo caderno
foi que eu descobri:
Antigamente eu era eterno.
*
Tarde de vento.
Até as árvores
querem vir para dentro.
*
SE
se
nem
for
terra
se
trans
for
mar
*
A noite me pinga
uma estrela no olho
e passa.
*
INCENSO FOSSE MÚSICA
isso de querer ser
exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
*
nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez
*
AMOR BASTANTE
quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto
*
PARADA CARDÍACA
Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.
Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.
*
ATRASO PONTUAL
Ontens e hojes, amores e ódio,
adianta consultar o relogio?
Nada poderia ter sido feito,
a não ser o tempo em que foi lógico.
Ninguém nunca chegou atrasado.
Bençãos e desgraças
vem sempre no horário.
Tudo o mais é plágio.
Acaso é este encontro
entre tempo e espaço
mais do que um sonho que eu conto
ou mais um poema que faço?
*
DESENCONTRÁRIOS
Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.
Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.
*
RAZÃO DE SER
Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
*
Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.
*
não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino
Paulo Leminski
Leituras para o Verão
By José Saramago Com os primeiros calores, já se sabe, é fatal como o destino, jornais e revistas, e uma vez por outra alguma televisão de gostos excêntricos, vêm perguntar ao autor destas linhas que livros recomendaria ele para ler no Verão. Tenho-me furtado sempre a responder, porquanto considero a leitura actividade suficientemente importante para dever ocupar-nos durante todo o ano, este em que estamos e todos os que vierem. Um dia, perante a insistência de um jornalista teimoso que não me largava a porta, resolvi ladear a questão de uma vez por todas, definindo o que então chamei a minha "família de espírito", na qual, escusado será dizer, faria figura de último dos primos. Não foi uma simples lista de nomes, cada um deles levava a sua pequena justificação para que melhor se entendesse a escolha dos parentes. Incluí nos Cadernos de Lanzarote a imagem final da "árvore genealógica" que me tinha atrevido a esboçar e repito-a aqui para ilustração dos curiosos. Em primeiro lugar vinha Camões porque, como escrevi em O Ano da Morte de Ricardo Reis, todos os caminhos portugueses a ele vão dar. Seguiam-se depois o Padre António Vieira, porque a língua portuguesa nunca foi mais bela que quando a escreveu esse jesuíta, Cervantes, porque sem o autor do Quixote a Península Ibérica seria uma casa sem telhado, Montaigne, porque não precisou de Freud para saber quem era, Voltaire, porque perdeu as ilusões sobre a humanidade e sobreviveu ao desgosto, Raul Brandão, porque não é necessário ser um génio para escrever um livro genial, o Húmus, Fernando Pessoa, porque a porta por onde se chega a ele é a porta por onde se chega a Portugal (já tínhamos Camões, mas ainda nos faltava um Pessoa), Kafka, porque demonstrou que o homem é um coleóptero, Eça de Queiroz, porque ensinou a ironia aos portugueses, Jorge Luis Borges, porque inventou a literatura virtual, e, finalmente, Gogol, porque contemplou a vida humana e achou-a triste. Que tal? Permitam-me agora os leitores uma sugestão. Organizem também a sua lista, definam a "família de espírito" literária a que mais se sentem ligados. Será uma boa ocupação para uma tarde na praia ou no campo. Ou em casa, se o dinheiro não deu para férias este ano. Fonte: Blog do Saramago |
Domingo, 12 de Julho de 2009
Pausa
Darei uma pausa nas postagens.
Retorno depois do dia 12 de julho.
Boa leitura a todos.
Uma sugestão? Flaubert. Leiam ele todo, começando por Madame Bovary (1857). Tanto pela interessante história, quanto (mais ainda, e principalmente) pela técnica narrativa deste gênio do romance moderno.
Domingo, 5 de Julho de 2009
Não mais vislumbrar
Querer-te, apenas.
Talvez isso me bastasse,
se soubesse que,
te tendo,
poderia não mais vislumbrar
o mistério de tua ausência em mim!
Hálito
Teu felino sorriso. O frescor de tua pele.
Teus dentes alvos na cana. O hálito.
Os cabelos como os de Giberte, em Swann.
Você, mulher, já.
Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Escritora do mês: Nélida Piñon
Filha de Lino Piñon Muiños e Olivia Carmen Cuiñas Piñon, espanhóis de origem galega. Seu nome é um anagrama do nome do avô, Daniel.
Formou-se em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e foi editora e membro do conselho editorial de várias revistas no Brasil e exterior. Também ocupou cargos no conselho consultivo de diversas entidades culturais em sua cidade natal.
Estreou na literatura com o romance Guia-mapa de Gabriel Arcanjo, publicado em 1961, que tem como temas o pecado, o perdão e a relação dos mortais com Deus.
Nélida Piñon é, também, académica correspondente da Academia das Ciências de Lisboa.
Bibliografia e prêmios
Sua obra já foi traduzida em inúmeros países, tendo recebido vários prêmios ao longo de mais de 35 anos de atividade literária. O mais recente foi o Prêmio Príncipe de Asturias das Letras de 2005, conferido na cidade espanhola de Oviedo. Concorreram a este prêmio escritores de fama mundial, como os norte-americanos Paul Auster e Philip Roth, e o israelense Amos Oz; ao todo, mais de dezesseis países estavam representados no concurso.
Fonte: Wiki
Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Lula, segundo Obama
Parece que agora os EUA de fato estão se tornando um país decente.
Segundo Obama, com presidentes como Bachelet e Lula "podemos mostrar aos demais países que a democracia, o respeito à propriedade privada, o império da lei (...) não é só uma agenda americana, mas uma maneira inteligente de melhorar a prosperidade para os próprios povos".
Para ele, "o presidente Lula tem uma orientação política muito diferente da maioria dos americanos; surgiu do movimento sindical e era visto como um forte esquerdista."
"Acontece que, apesar de manter relações com toda a América Latina, realizou todos os tipos de reformas de mercado inteligentes que fizeram o Brasil prosperar", insistiu o presidente americano.
Fonte: Yahoo! Notícias (com adaptações deste blog).
Kianceta
Sábado, 20 de Junho de 2009
L2 - Literatura & Leituras
Sérgio de Sá
| "Não é função do escritor explicar o que escreve ou organizar excursões, como um guia turístico, através da região mais difícil de sua obra" Ernest Hemingway (1899-1961), escritor norte-americano |
| Poemas que dançam O próximo livro da poeta Cristina Bastos tem o provisório título de Verso bailarino. Fora de grupos, outsider natural, Cristina escreve ao sabor dos dias. "Gosto mesmo é de versejar", diz ela. "Esse é meu ofício. Com alegria e respeito, trato meu trabalho de poeta andarilha... ainda que na toca." Cristina conta o saber dos dias para fazer 50 anos, assim como a cidade que habita. Os poemas vão ficando prontos (já são 200). São versos de existência simples, mas de releitura sempre incorporadora. Experimentar voltar sobre o efeito é correr o risco de encontrar o próprio corpo embalado em dúvida, disposto a compartilhar a ocupação do espaço (sideral). A coluna festeja a nova produção. E antecipa seis poemas saídos da ponta de um lápis tranquilamente pontiagudo, da safra nada sôfrega da autora de Decerto deserto (1992) e Veia (2002): 1 Hoje vi a lua imensa não havia ontem Agora não há lua imenso é o céu negro já, escrevo e aqui quem está? 2 Não me persigo em nenhum canto Tudo transmuta em segundos Sou tonta se me busco Sou onde estou girando com o mundo 3 medito a parede nua revela o que não encarei 4 Se fosse tudo que sei o que sei não escreveria, ser me bastaria 5 Se o vazio é meu tema não há por que temer falta de assunto, há um mundo no vazio que teço sem tantos termos ditos 6 Grandes elefantes! Sabem quando deitar seus ossos do ofício |
| Figura poética Há 50 anos, o crítico literário Roberto Schwarz publicou um livro de poesia: Pássaro na gaveta. Saiu pela pequena e brava editora Massao Ohno, com capa de Fernando Odriozola e desenhos de Lourival Gomes Machado, Mario Neme e Sergio Milliet. A produção poética continuaria em Corações veteranos, de 1974. Reproduzo o mais curto dos textos, um dos dois poemas do livro de estreia intitulados "Figuração": Não te explico. Te figuro: para além do pejo na fronteira de desejo e sol ave num só pé a bailarina desapareceu na graça grave do castiçal Garça e castiçal será preciso dizer mais? |
| O homem deslocado Leio com entusiasmo "O texto tatuado", o capítulo do romance da série Amores Expressos que Sérgio Sant´Anna escreve para a Companhia das Letras. Foi publicado no número 4 da revista Granta. Além de anunciar que vem coisa boa por isso, faz pensar no conto A mulher-cobra, publicado no livro A senhorita Simpson, de 1989. Se antes o personagem-escritor estava em Bruxelas, na Bélgica, ele agora vai ao encontro da, vamos dizer assim, mulher-texto, a mulher-Kafka, em Praga, na República Tcheca. Ambas tatuadas (textos e imagens), ambas espetáculo diante do qual se senta para admirar, ambas objeto de desejo, ambas encantam os olhos do espectador deslocado, em viagem de reconhecimento. Uma diferença básica é a presença acachapante da metalinguagem no conto e mais a dúvida da autoria no trecho do romance. Sempre Sérgio Sant'Anna (ou Serge) no controle conceitual, muitas vezes autorreflexivo, muitas vezes solto na rédea narrativa. |
| Mínimas |
Fonte: Correio Braziliense, 20.06.09
Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Prece às estrelas (etnia autora desconhecida)
Tracce nel Vento (Rastos no Vento), pesquisa de Giancarlo Berardi e ilustrações de Ivo Milazzo, são as palavras e escritos dos índios da América. Essa seção foi publicada na primeira série de Ken Parker (jun/1977-mai/1984) e republicada na KP Raccolta (jun/1984-jan/1986) e KP Serie Oro (mai/1989-ago/1994).
Foram apenas 18 inserções, mas que deixaram saudades nos fãs de Rifle Comprido, pela simplicidade (e profundidade) de um código moral considerado primitivo.
Os versos da série Rastos no Vento eram publicados nas segundas-capas de Ken Parker, em preto e branco. São espécies de quase hais dos povos indígenas dos EUA, valendo-me do neologismo que ousei inventar.
São puro néctar. Que publicarei aqui, semanalmente uma pérola a mais, toda sexta-feira, colorizada por um artista goiano, amante dos quadrinhos! (Ficou fantástico o trabalho dele!).
* Com auxílio de informações do blog Ken Parker
Fonte da imagem: Blog Ken Parker, colorizado por Alexandre Mastrella, ilustrador, dono de estúdio de animação em Catalão, interior de Goiás.
Um pouco do gênio de Flaubert
O Ville-de-Montereau, pronto para partir, fumegava com toda a sua força diante do cais Saint-Bernard. Chegava gente ofegante; barricas, cabos, cestos de roupa impediam a circulação; os marinheiros não respondiam a ninguém; todos se acotovelavam; os volumes entre os tambores amontoavam-se; e o barulho se absorvia no ronco do motor, que, lançando fumaça pelas chapas de ferro, envolvia tudo num nevoeiro esbranquiçado, enquanto a sineta de proa tocava sem parar. Enfim o navio partiu; e as duas margens, cheias de armazéns, canteiros e fábricas, deslizaram como duas largas faixas que desenrolamos. [...] Através do nevoeiro, contemplava os campanários, os edifícios cujo nome desconhecia; com um último olhar, envolveu a Ilha de Saint-Louis, a Cité, Notre-Dame; e, Paris desaparecendo, soltou um grande suspiro.
Gustave Flaubert
A educação sentimental
Fanatismo
Para você!
FANATISMO
Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!..."
Florbela Espanca - Livro de Soror Saudade (1923)
Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Um comentário na Folha
Que País é este?
Você sabia?
1. - Um motorista do Senado ganha mais para dirigir o automóvel funcional de um Senador, do que um oficial da Marinha ganha para pilotar uma fragata de algumas centenas de milhões de dólares.
2. - Um ascensorista da Câmara Federal, ganha bem mais para "pilotar" os elevadores da casa, do que um oficial da Força Aérea que precisa de anos de treinamento para pilotar um caça Mirage.
3. - Um "diretor" que comanda a garagem do Senado, ganha muito mais do que um Oficial-General do Exército, que comanda todo um regimento de veículos blindados.
4. - Um "diretor sem diretoria" (...deve ser back-up de diretor...) do Senado, ganha mais do que o dobro que recebe um professor universitário federal concursado, com mestrado, doutorado e com prestígio internacional...
Comentário de um leitor da Folha Online
Quarta-feira, 17 de Junho de 2009
BRIC
No New York Times:
"Os líderes de algumas das mais poderosas economias mundiais estão reunidos nesta terça-feira para discutir como exercer maior controle sobre o sistema financeiro mundial, enquanto dão os vacilantes primeiros passos em direção à recuperação. Nem os norte-americanos nem os europeus ocidentais estão no encontro. A primeira reunião de cúpula do chamado grupo BRIC - Brasil, Rússia, Índia e China - foi destinada a sublinhar a crescente força econômica destes quatro grandes países em desenvolvimento, e a exigência de maior voz no mundo."
Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
Lawrence Ferlinghetti
Para quem não foi viciado na coleção "Circo de Letras", da Editora Brasiliense, publicada na década de 80, como fui (e gastava o salário de boy do Banco do Brasil - e não recursos públicos, como hoje se faz - para comprar os exemplares de poesias e daquela prosa psicodélica), segue um poema de Lawrence Ferlinghetti.
Quanto ao poeta, aí esta o Google, enciclopédia global e temor de nações mundo afora (tal o domínio da informação), para que saibam mais a respeito dele:
Café Notre Dame
Uma espécie de trauma sexual
prende um casal abismado
Ele está segurando as duas mãos dela
nas suas
Ela está beijando as mãos dele
Estão olhando-se
nos olhos
de muito perto
Ela tem um casaco de peles
feito duma centena de coelhos correndo
Ele
tem um casaco clássico sombrio
e calças cinza-de-pardo
Agora estão a examinar as palmas
das mãos um do outro
como se fossem mapas de Paris
ou do mundo
como se estivessem à procura do Metro
que os levasse juntos
através dos caminhos subterrâneos
através das «estações do desejo»
até ao terminal do amor
até às portas da cidade-luz
É um caso sem saída
e estão perdidos
nas linhas cruzadas
das suas palmas enlaçadas
suas linhas de cabeça e linhas de coração
suas linhas de sorte e linhas de vida
ilegíveis e misturadas
no mons veneris
da sua paixão
Postado por mim, africanóide (como noventa por cento dos brasileiros somos, embora neguemos) e enviesado escriba, localizado na periferia da cultura do mundo. Ora residindo em Aracaju, bela cidade nordestina, na primeira décima parte do século 21.
Domingo, 14 de Junho de 2009
"Mas você acha Velvet Underground tão coesamente autêntico no sentimento quanto o Stooges?"
De vez em vez acesso a Obra em Progresso, de Caetano Veloso.
Impressiona-me a verve e a criatividade do bom baiano.
Algumas pérolas de uma conversa dele com Pedro:
"E emocional e esteticamente, como você se identifica? Se você é mais blues, se é mais cool – e quais os guitarristas que mais te inspiram no seu gosto, você pode admirar mais um mas gostar mais de outro…"
"Mas você acha Velvet Underground tão coesamente autêntico no sentimento quanto o Stooges?"
"Eu me identifico muito com Miles Davis. Admiro muito ele mas acho ele assim."
"Quando alguém quer botar seu trabalho para competir com os outros nos Estados Unidos, ele já parte de um nível alto de exigência na fatura que o brasileiro não se impõe. Isso pode ser reflexo das responsabilidades da sociedade americana, que em tudo se esforçou para realizar o melhor que possa. Há uma coisa bonita nessa responsabilidade americana. Mas isso também pode distanciar daquilo que se quer atingir através do apuro técnico, que é o espírito íntimo da música. O que eu vou dizer pode, no fim, confirmar a observação de Melvin Gibbs, mas os americanos desenvolveram também um desrespeito à exigência da fatura muito mais do que nós. Quando eles já estavam gravando Bob Dylan, os Stooges etc., aqui ainda pedíamos desculpas para gravar Nelson Cavaquinho. E se exigia uma aparência de qualidade no acabamento. Digo porque quando lancei o “Muito” a crítica ficou irada, dizendo que era feito no fundo do quintal – e demonstrando deslumbramento com discos que parecessem produzidos. Ou seja, os americanos têm uma coragem de desrespeitar a fatura muito maior do que a nossa. Bob Dylan gravava com a voz de Pato Donald, errava o tempo, quebrava os compassos. Eu aqui, nem me deixavam tocar violão em meus discos. Só depois que eu voltei de Londres. Os americanos parecem que estão dizendo: nós podemos fazer muito mais bem feito o mal feito do que vocês, do que qualquer um. É uma coisa engraçada porque parece com a questão da arte moderna. Você pede a uma pessoa: “desenha-me um carneiro” e pode ser que a pessoa saiba desenhar um carneirinho. Mas na arte contemporânea é capaz de a maioria dos artistas plásticos não saberem desenhar um carneiro. Mas você vê uma ilustração na New Yorker, com traço aparentemente ingênuo, tosco, mas de propósito, cê vê que aquilo é sofisticação. Enquanto aqui alguém tenta fazer um traço destro."
Sábado, 13 de Junho de 2009
Ternas ventanias nos afaguem
Dentro em breve quero falar-lhe, abraçado a você, numa noite chuvosa, após o passeio na orla:
Você é o perfume suave do meu mundo.
Uma rede que me embala quando perco o caminho.
Você é como o orvalho,
o ruído da chuva nos telhados das casas do campo
e a borboleta na primeira semana da primavera.
Uma revolução sacude-me a alma,
e nem mesmo um Rei ousará impugnar
a eclosão de risos, a aturdida alegria e a paz que me toma e que eu tenho por te ter!
Um tesouro: as pétalas que surgem
a cada toque,
tato,
fala,
silencioso olhar — o teu olhar: ouro e mel!
Ternas ventanias sopradas pelas cabeleiras da noite,
acima do oceano,
nos afaguem.
Dentro em breve quero mirar seus olhos tempestuosos e felinos e dizer-lhe:
"Meu amor!"
Moulin Rouge
Depois de anos, só ontem vi "Moulin Rouge" (Moinho Vermelho, em francês). O filme é impressionante - uma estética inovadora, um enredo simples e ao mesmo tempo denso, dramático, belo. Foi descoberta uma outra maneira de contar uma história de amor, enfim.
A Globo tem lá seus momentos de lucidez, apesar do horário: vi o filme das duas às quatro da madrugada.
Para quem aos quinze emocionava-se com "Cantando na chuva", ver Nicole Kidman interpretando canções pop ("Like a Virgin", por exemplo), num ambiente noir, o filme foi um achado fantástico.
Procurei críticas na internet. Não gostei de nenhuma. Não acertaram. Não captaram a leveza do filme. O segredo está no enredo-canção, nos movimentos, nas cores (há um quê de Cirque du Soleil no Moulin Rouge ou talvez haja muito daquele neste, é por aí).
A história se passa em 1899 e gira em torno de um jovem poeta, Christian, que desafia a autoridade do pai ao se mudar para Montmartre, em Paris, considerado um lugar amoral, boêmio e onde todos são viciados em absinto. Lá, ele é acolhido por Toulouse-Lautrec e seus amigos, cujas vidas são centradas em Moulin Rouge, um salão de dança, um clube noturno e um bordel (mas cheio de glamour) de sexo, drogas, eletricidade e - o que é ainda mais chocante - de cancan. É então que Christian se apaixona pela mais bela cortesã do Moulin Rouge, Satine.
Para a Wiki, "Moulin Rouge é um cabaret tradicional, construído no ano de 1889 por Josep Oller, que já era proprietário anteriormente do Paris Olympia. Situado na zona de Pigalle no Boulevard de Clichy, ao pé de Montmartre, em Paris, França. É famoso pela inclusão no terraço do seu edifício de um grande moinho vermelho. O Moulin Rouge é um símbolo emblemático da noite parisiense, e tem uma rica história ligada à boémia da cidade.
Desde há mais de cem anos que o Moulin Rouge é lugar de 'visita obrigatória' para muitos turistas. O Moulin Rouge continua a oferecer na atualidade uma grande variedade de espectáculos para todos aqueles que querem evocar o ambiente boémio da Belle Époque e que ainda está presente no interior da sala de espectáculos. Não obstante, o estilo e o nome do Moulin Rouge de Paris foram imitados por muitos clubes de variedades e salas de espectáculos em todo o mundo.
A sala, as bailarinas e os seus frequentadores constituem um dos temas preferidos na obra do pintor Henri de Toulouse-Lautrec."
L2 - Literatura & leituras
Sérgio de Sá
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Sexta-feira, 12 de Junho de 2009
Lula conduz Brasil a novo papel mundial
Trilha sonora de Moulin Rouge
1. Nature Boy - David Bowie
2. Lady Marmalade - Lil Kim / Christina Aguilera / Pink / Mya
3. Because We Can - Fatboy Slim
4. Sparkling Diamonds - Nicole Kidman / Jim Broadbent / Caroline O'Connor/ Natalie Mendonza / Lara Mulcahy
5. Rhythm of the Night - Valeria
6. Your Song - Ewan McGregor / Alessandro Safina
7. Children of the Revolution - Gavin Friday / Bono / Maurice Seezer
8. One Day I'll Fly Away - Nicole Kidman
9. Diamonds Dogs - Beck
10. Elephant Love Medley - Ewan McGregor / Nicole Kidman / Jamie Allen
11. Come What May - Ewan McGregor / Nicole Kidman
12. El tango de Roxanne - Ewan Mcgregor / Jose Feliciano / Jacek Koman
13. Complainte de la butte - Rufus Wainwright
14. Hindi Sad Diamonds - John Leguizamo / Nicole Kidman / Alika Yagnik
15. Nature Boy - Massive Attack / David Bowie
16. Your Song (instrumental) - From The "rehearsal Montage" Scene - Craig Armstrong
17. Sparkling Diamonds (original film version) - Nicole Kidman / Jim Broadbent / Caroline O' Connor / Natalie Mendonza / Lara Mulcahy
18. One Day I`ll Fly Away (Tony Phillips Remix) - Nicole Kidman
19. The Pitch (Spectacular Spectacular) (original film version) - Ewan Mcgregor / John Leguizamo / Nicole Kidman / Jim Broadbent / Richard Roxburgh / Jacek Koman / Garry Macdonald / Matthew Whittet
20. Come What May (original film version) - Ewan Mcgregor / Nicole Kidman
21. Like a Virgin (original film version) - Jim Broadbent / Richard Roxburgh / Anthony Weigh
22. Meet Me in the Red Room (original film version) - Amiel
23. Your Song (instrumental) From The "after The Storm" Scene - vários
24. The Show Must Go On (original Film Version)- Nicole Kidman / Jim Broadbent / Anthony Weigh
25. Ascension / Nature Boy - From The "Death and Ascension" Scene - Ewan Mcgregor
26. Bolero (original film version) - Simon Standage
27. In The Name Of Love - U2
No céu (Chippewa)
Tracce nel Vento (Rastos no Vento), pesquisa de Giancarlo Berardi e ilustrações de Ivo Milazzo, são as palavras e escritos dos índios da América. Essa seção foi publicada na primeira série de Ken Parker (jun/1977-mai/1984) e republicada na KP Raccolta (jun/1984-jan/1986) e KP Serie Oro (mai/1989-ago/1994).
Foram apenas 18 inserções, mas que deixaram saudades nos fãs de Rifle Comprido, pela simplicidade (e profundidade) de um código moral considerado primitivo.
Os versos da série Rastos no Vento eram publicados nas segundas-capas de Ken Parker, em preto e branco. São espécies de quase hais dos povos indígenas dos EUA, valendo-me do neologismo que ousei inventar.
São puro néctar. Que publicarei aqui, semanalmente uma pérola a mais, toda sexta-feira, colorizada por um artista goiano, amante dos quadrinhos! (Ficou fantástico o trabalho dele!).
* Com auxílio de informações do blog Ken Parker
Fonte da imagem: Blog Ken Parker, colorizado por Alexandre Mastrella, ilustrador, dono de estúdio de animação em Catalão, interior de Goiás.
Pedaço do céu (Otomi)
Tracce nel Vento (Rastos no Vento), pesquisa de Giancarlo Berardi e ilustrações de Ivo Milazzo, são as palavras e escritos dos índios da América. Essa seção foi publicada na primeira série de Ken Parker (jun/1977-mai/1984) e republicada na KP Raccolta (jun/1984-jan/1986) e KP Serie Oro (mai/1989-ago/1994).
Foram apenas 18 inserções, mas que deixaram saudades nos fãs de Rifle Comprido, pela simplicidade (e profundidade) de um código moral considerado primitivo.
Os versos da série Rastos no Vento eram publicados nas segundas-capas de Ken Parker, em preto e branco. São espécies de quase hais dos povos indígenas dos EUA, valendo-me do neologismo que ousei inventar.
São puro néctar. Que publicarei aqui, semanalmente uma pérola a mais, toda sexta-feira, colorizada por um artista goiano, amante dos quadrinhos! (Ficou fantástico o trabalho dele!).
* Com auxílio de informações do blog Ken Parker
Fonte da imagem: Blog Ken Parker, colorizado por Alexandre Mastrella, ilustrador, dono de estúdio de animação em Catalão, interior de Goiás.
Quarta-feira, 10 de Junho de 2009
Mudança no título do blog
Quase hai volta a ser Quase hai.
A expressão quase hai, neologismo que inventei, vem de hai cai. Mas considerei, por um momento, que, se nem mesmo amigos pronunciavam corretamente o hai (hai = "rai"), então também para acessar o blog não devia ser fácil. Mas meia dúzia de leitores reclamaram. E torna o blog ao nome antigo.
Atualizado em 22.05.09: o endereço continua, portanto, quasehai.blogspot.com.
Ritual, em 1988, em Brasilia
Quando cheguei em Brasília, em 1988, vindo do interior da Bahia, noviço, as FMs explodiam a bela canção "Eduardo e Monica", da Legião Urbana, com sua inconfundível e gostosa batida. Entrei em transe. Queria saber que banda era aquela, queria saber tudo sobre os caras.
Dias depois comprei o disco novo do Cazuza, "Só se For a Dois", e pude ouvir "Ritual". Estava ali o poema-pós-Caetano de tantos versos densos. Durante dias eu ouvia a canção, relia a letra, cantarolava, cantarolava.
É um poema beat, puríssimo! Senão, comprovem:
RITUAL
Pra que sonhar
A vida é tão desconhecida e mágica
Que dorme às vezes do teu lado
Calada
Calada
Pra que buscar o paraíso
Se até o poeta fecha o livro
Sente o perfume de uma flor no lixo
E fuxica
Fuxica
Tantas histórias de um grande amor perdido
Terras perdidas, precipícios
Faz sacrifícios, imola mil virgens
Uma por uma, milhares de dias
Ao mesmo Deus que ensina a prazo
Ao mais esperto e ao mais otário
Que o amor na prática é sempre ao contrário
Que o amor na prática é sempre ao contrário
Ah, pra que chorar
A vida é bela e cruel, despida
Tão desprevenida e exata
Que um dia acaba
A vida e a amada
"Minha vida que não me ama, minha amada que não me quer. Seduzo as duas." Jack Kerouac
Terça-feira, 9 de Junho de 2009
Segunda-feira, 8 de Junho de 2009
Por que os jornais investem contra o blog da Petrobras?
por Luiz Carlos Azenha 1) Porque perdem o "monopólio da informação" e, com isso, autoridade sobre o público;2) Porque os leitores agora podem saber quais são TODAS AS PERGUNTAS feitas pelos jornais à Petrobras; 3) Porque comparando todas as perguntas feitas pelos jornais e todas as respostas dadas pela Petrobras com o que é efetivamente publicado os leitores podem descobrir as manipulações feitas com as respostas no processo de edição; 4) Porque essa comparação permite ao público descobrir quais as respostas da Petrobras serão simplesmente omitidas do jornal impresso para não "atrapalhar" a pauta; 5) Porque comparando as perguntas feitas pelos diferentes jornais, o público pode entender que há gente alimentando simultaneamente os jornais com informações em busca de levantar a bola para a CPI; 6) Porque as perguntas fornecem pistas sobre quem está alimentando os jornais com o objetivo de criar o "escândalo" necessário ao sucesso do palanque eleitoral da CPI; 7) Porque essas pistas poderão levar o público a descobrir que os jornais são usados em campanhas eleitorais ou com objetivos inconfessáveis, como o de entregar o pré-sal a empresas estrangeiras; 8) Porque o blog da Petrobras desloca público do jornal impresso para a internet, onde o público poderá receber informações, por exemplo, sobre como a grande imprensa brasileira atacou Getúlio Vargas quando ele criou a Petrobras; 9) Porque todo esse processo pode deixar claro que a grande imprensa não é isenta, nem imparcial, nem honesta; que diz não ter lado, mas tem; que está a serviço de "uma causa", assim como esteve quando fez campanha contra a criação da Petrobras ou em favor do golpe militar de 1964; 10) Porque eles ainda não sairam do século 20. Vá ao blog da Petrobras e contribua com a investigação dos jornais É por isso que o Viomundo apóia o controle social dos gastos de publicidade de governos, órgãos e empresas públicas. Fonte: Vi o mundo |
Sábado, 6 de Junho de 2009
Sophia de Mello Breyner Andresen*
Liberdade
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.
As Rosas
Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.
Poesia
Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.
Poeta portuguesa, aureolada com o Prêmio Camões de 1999.
L2 - Literatura & Leituras
Sérgio de Sá sergio.sa@terra.com.br
* Fonte: Correio Braziliense |
Veja quais são os assuntos do momento no Yahoo! + Buscados: Top 10 - Celebridades - Música - Esportes
Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
Amor de índio
Tudo o que move é sagrado
E remove as montanhas
Com todo o cuidado, meu amor.
Enquanto a chama arder,
Todo dia te ver passar,
Tudo viver ao teu lado
Com o arco da promessa
No azul pintado pra durar.
No inverno te proteger,
No verão sair pra pescar,
No outono te conhecer,
Primavera poder gostar
No destino que se cumpriu
De sentir teu calor e ser todo,
Todo dia é de viver
Para ser o que for e ser tudo.
Sim, todo amor é sagrado
É o fruto do trabalho
É mais que sagrado, meu amor.
A massa que faz o pão
Vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
E se alimenta de horizontes
O tempo acordado de viver.
No inverno te proteger
No verão sair pra pescar,
No outono te conhecer,
Primavera poder gostar.
No estio me derreter
Pra na chuva dançar e andar junto
O destino que se cumpriu
De sentir teu calor e ser tudo.
Abelha fazendo o mel
Vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
No destino que se cumpriu
De sentir teu calor e ser todo
Todo dia é de viver
Para ser o que for e ser tudo
Para ser o que for...
Pra viver...
Beto Guedes e Ronaldo Bastos
Eu e você caminharemos
Fonte: Blog Ken Parker, colorizado por Alexandre Mastrella, ilustrador, dono de estúdio de animação em Catalão, interior de Goiás.
Rastos no vento
Tracce nel Vento (Rastos no Vento), pesquisa de Giancarlo Berardi e ilustrações de Ivo Milazzo, são as palavras e escritos dos índios da América. Essa seção foi publicada na primeira série de Ken Parker (jun/1977-mai/1984) e republicada na KP Raccolta (jun/1984-jan/1986) e KP Serie Oro (mai/1989-ago/1994).
Foram apenas 18 inserções, mas que deixaram saudades nos fãs de Rifle Comprido, pela simplicidade (e profundidade) de um código moral considerado primitivo.
Os versos da série Rastos no Vento eram publicados nas segundas-capas de Ken Parker, em preto e branco. São espécies de quase hais dos povos indígenas dos EUA, valendo-me do neologismo que ousei inventar.
São puro néctar. Que publicarei aqui, semanalmente uma pérola a mais, toda sexta-feira, colorizada por um artista goiano, amante dos quadrinhos! (Ficou fantástico o trabalho dele!).
* Com auxílio de informações do blog Ken Parker
Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
A caixa-preta da mídia parva
"Creio que é desnecessário lembrar o papel central que essa emissora [a Globo] desempenhará a partir da instalação da CPI da Petrobrás. Dela, como de outros grandes veículos, partirão informações truncadas, inverídicas, mal apuradas, mas de inequívoca importância para uma oposição que precisa de munição para manter seu espetáculo. A caixa-preta midiática , mais uma vez, mostrará seu padrão de qualidade." (Gilson Caroni, professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso - Facha, no Rio de Janeiro)
Leitura obrigatória: Blog da Petrobras
Imperdível. Fatos e Dados. Este é o blog da Petrobras, em resposta aos covardes ataques da mídia antipatriótica, que apoia a CPI eleitoreira criada pela oposição ao Governo Lula para desestabilizá-lo. Não medem esforços em sua tentativa, mesmo que isto custe arranhar seriamente a imagem da mais sólida empresa brasileira! A apresentação diz a que veio o inédito blog: "Aqui você verá fatos e dados recentes da Petrobras e o posicionamento da empresa sobre as questões relativas à Comissão Parlamentar de Inquérito. Leia, comente e divulgue para seus amigos." |
A edição de Ken Parker mais esperada!
![]() KEN PARKER de Berardi & Milazzo é o 3º volume de uma nova coleção v oltada à arte sequencial, nas bancas italianas desde o último 06 de março. Trata-se de Os Mestres dos Quadrinhos (I Maestri del Fumetto), luxuosos volumes cartonados, 190 páginas, formato 21,5 X 29 cm, dedicados a alguns dos maiores autores dos quadrinhos mundiais. Com o padrão de qualidade Arnoldo Mondadori Editore é uma iniciativa de dois importantes jornais italianos, Panorama e Il Sole 24 Ore.Rifle Comprido está muito bem representado por LAR DOCE LAR (colorização de Marco Soldi) e o ciclo IL RESPIRO E IL SOGNO (reúne FILHOTES, A LUA DA MAGNÓLIA EM FLOR, SOLEADO e PÁLIDAS SOMBRAS), a obra-prima de seus autores. Um breve texto abre a edição. Fonte: Blog Ken Parker |
Quarta-feira, 3 de Junho de 2009
El Pais: Obama quiere que Lula sea el próximo presidente del Banco Mundial
El presidente estadounidense habría propuesto al mandatario brasileño según fuentes cercanas a las dos presidencias
El presidente estadounidense, Barack Obama, está interesado en que el Banco Mundial, después de la crisis financiera actual, tenga una estructura más volcada en las políticas sociales y más preocupada por los países más pobres del planeta. Para ello, Obama habría propuesto al presidente brasileño, el ex metalúrgico, Luiz Inácio Lula da Silva, a quien define como "el político más popular del mundo". Leia mais aqui.
Terça-feira, 2 de Junho de 2009
Amor meu grande amor
Se essa nostálgica canção de Ana Terra já é belíssima na voz de Ângela Rorô, o que dizer então na interpretação rouca e forte do leader band do Barão Vermelho, Robeto Frejat? Amor, meu grande amor Não chegue na hora marcada Assim como as canções Como as paixões E as palavras... Me veja nos seus olhos Na minha cara lavada Me venha sem saber Se sou fogo Ou se sou água... Amor, meu grande amor Me chegue assim Bem de repente Sem nome ou sobrenome Sem sentir O que não sente... Pois tudo o que ofereço É, meu calor, meu endereço A vida do teu filho Desde o fim, até o começo... Amor, meu grande amor Só dure o tempo que mereça E quando me quiser Que seja de qualquer maneira... Enquanto me tiver Que eu seja O último e o primeiro E quando eu te encontrar Meu grande amor Me reconheça... Pois tudo que ofereço É, meu calor, meu endereço A vida do teu filho Desde o fim até o começo... Amor, meu grande amor Que eu seja O último e o primeiro E quando eu te encontrar Meu grande amor Por favor, me reconheça... Pois tudo que ofereço É, meu calor, meu endereço A vida do teu filho Desde o fim até o começo... |
Ken Parker na Turquia
Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
Imagem do mês: Luci Collin

Escritora curitibana, professora de Literaturas de Língua Inglesa e Tradução Literária na UFPR, Luci Colllin é autora de livros de poesia como Estarrecer, Espelhar, Esvazio, Ondas e Azuis, Poesia Reunida e Todo Implícito; e dos volumes de contos Lição Invisível, Precioso Impreciso, Inescritos e Vozes num Divertimento, recém-lançado pela Travessa dos Editores.
Domingo, 31 de Maio de 2009
Sábado, 30 de Maio de 2009
O labirinto de Borges
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Edição bilíngue reúne sete livros de poesias de um dos gigantes da literatura universal Alexandre Pilati Especial para o Correio
A sombra, a partir do que de relance vimos acima, estende-se como um estigma sobre os versos do argentino e se configura como um dos signos fundamentais dos livros de poemas do "tempo de madureza" do Borges poeta. Tais livros agora são reunidos no volume Poesia — Jorge Luis Borges (2009), que integra a coleção Biblioteca Borges, da editora Companhia das Letras. Seja bem-vinda esta edição bilíngue que reúne sete livros de poesia do autor, publicados originalmente entre 1969 e 1985. A edição dá sequência ao projeto de publicação das obras do bruxo portenho e, de modo especial, completa uma mirada ampla sobre sua poesia, estabelecendo um contraponto à já publicada Primeira poesia (Companhia das Letras, 2007), que apresenta uma reunião de livros de poemas publicados nos anos 1920. No contraponto, entre as frestas dos versos, quando postas especularmente face a face, madureza e juventude poética revelam dois Borges que vivificam o problema do qual sua poesia é a mais inquietante configuração. Um problema no seu caso enfrentado com o talento e a coragem que separam o grande autor do mistagogo.
Sendo o gênero lírico aquele que mais nevralgicamente apresenta a dimensão das contradições, é na Poesia madura de Borges que seu problema se impõe como um inexorável desafio crítico. No conjunto de textos, cuja primeira coletânea remete a um não tão longínquo assim 1969. Nesta altura do século, digamos com risco de tautologia: Borges já era Borges. Mais do que isso: Borges sabia bem o que era ser Borges. Para alguns, talvez até para ele mesmo, isso quereria dizer um perfeito exemplar da pós-modernidade. Borges chegara a ser, assim, o próprio estilo clássico-moderno que seria preciso copiar pela plena poesia da maturidade, cujo destino estaria já traçado e acabado. Notemos que esse caráter de acabamento é assumido pelo próprio projeto editorial, que considera esta produção madura "a" poesia borgeana, acabada, perfeita como um "aleph", enquanto a dos anos iniciais não passaria de "primeira poesia", momento de aprendizado, cujo horizonte seria uma futura superação. Tudo como a ocupar lugar em certa equação mística que sempre impôs algum véu à leitura do poeta argentino. Essa poesia madura apresenta traços, em termos de conteúdo ostensivo e estrutura aparente, que confirmam o "mito Borges", recontado por ele mesmo. Estão ali elementos como a escavação genealógica do gênio do poeta; o culto do homem de letras cosmopolita, cujo mundo (último e primeiro) é a biblioteca e seu emaranhado de labirintos; a literatura que se reforça e se exibe como desvencilhada das práticas sociais; uma originalidade que se apoia fortemente nos meandros impalpáveis, mas não menos fascinantes, do terreno do inefável. Tudo isso são feixes que atravessam não apenas a expectativa dos leitores de Borges acerca de sua obra, como também o tônus poético cosmopolita que a custo ele próprio forjara e que ele sabia ser absolutamente necessário replicar, a fim de dar continuidade a um projeto de universalização do ponto de vista literário periférico sob o signo da "espiritualização da poesia". Diríamos, mais uma vez, que aqui se trata de uma pauta "pós-moderna" — aquela a que os livros de poemas publicados entre 1969 e 1985 respondem, reforçando a posição da literatura de Borges como uma espantosa e mágica epifania do supranacional canônico. Entretanto, é curioso como essa poesia, pós-moderna em relação ao próprio argentino, ganha ainda mais vida e impõe ainda mais labirintos sob o prisma enunciado pelo crítico italiano Alfonso Berardinelli. Segundo ele, a pós-modernidade de Borges é "carregada de história e é ambientada familiarmente numa tradição secular, tornada de novo acessível em todas as direções", isso ainda que o poeta, no prólogo à sua Antologia pessoal, reconhecesse que o que mais poderia perturbá-lo e envergonhá-lo seria a presença da "cor local" em sua obra. A avaliação de Berardinelli parece contraditória em relação ao objetivo, reforcemos sempre, muito bem-sucedido de Borges de aderir a uma linguagem poética de superação do localismo e de uma diluição delibera no cosmopolitismo. No entanto, ela é coerente com a premissa crítica de que uma linguagem (por pura e inefável que seja) não se forja senão dentro de condições históricas. É na fenda das contradições deste mistério (bem mais palpável) que se monta a poesia madura de Borges, levando-nos a leituras bem mais labirínticas do que aquelas que compram de cara o jogo de cosmopolitismo ostensivo do autor. No prisma das contradições entre local e particular, serão melhor aproveitados os mistérios de uma voz lírica que diz sobre sua cidade: "O que será Buenos Aires?/ [...] É o cômodo da Biblioteca, no qual descobrimos, por volta de 1957, a língua dos ásperos saxões, a língua da coragem e da tristeza". E também aproveitaremos o dilacerado resgate efetuado pelo olhar do homem culto e refinado do grande símbolo nacional, desparticularizado, alçado à condição dolorida do isolamento humano à ocidental em "O gaúcho": "Foi tantos e hoje é uma quieta/ Peça que move a literatura". Um tipo sobretudo humano, que nunca teria dito, segundo o poeta, "sou gaúcho", mas que se integrou ao cosmos pela mais funda solidão humana. Este movimento de tensões, entre o cosmopolita e o nacional, é o tema da crítica Beatriz Sarlo. "Não existe escritor mais argentino do que Borges: ele se indagou, como ninguém, sobre a forma de fazer literatura numa das margens do Ocidente", diz Sarlo em Jorge Luis Borges — Um escritor na periferia. Artefato místico A poesia como artefato místico é um dos elementos dessa necessidade ocidentalizante dos versos de Borges, que, no entanto, não perde a noção de que um poeta trabalha sempre em "seu minucioso labirinto inútil". O reforço do elemento etéreo do ocidente não deixa de ser também um sintoma de que o poeta junta cacos de mitos, na tentativa, malograda sempre, de restituir ao mundo da alienação e da reificação os elementos do sagrado. Um sagrado que, no poeta argentino, sempre é mundano, pois consciente de que "a vida não é um sonho, mas pode/ chegar a ser um sonho", num verso em que cita Novalis. As ilusões de Borges não compactuam com o ilusionismo fácil. Elas emanam de um grande autor que na poesia soube como poucos exibir o encantamento poético num molde que não elide as exigências da contraditória realidade periférica. Sobre a obra de Borges, o brasileiro Ferreira Gullar faz uma curiosíssima afirmação: "Entendo que a realidade é às vezes tão insuportável que a gente só pensa em escapar dela. Borges é isso. E é bem latino-americano. Mas como a malária". Este é o labirinto latino-americano que as leituras de reforço ao mundo místico de Borges rejeitam, quiçá por temor. Um temor de encontrar-se com o ponto de partida histórico (seria impróprio sonhar com luta de classes?) dessa elaboração poética de imenso valor (latino-americana como a malária?). Temor de ver, nesse ponto de vista, um espelho que devolve interrogação e alteridade a quem o contempla. Perguntemos, então, com Borges: "Por que persistes, incessante espelho?". DOIS POEMAS Elegia da pátria De ferro, não de ouro, foi a aurora. Forjaram-na um porto e um deserto, Mais uns tantos senhores e o aberto. Espaço elementar de ontem e agora. Veio depois a guerra com o godo. Sempre o valor e sempre a vitória. O Brasil e o tirano. Aquela história Desenfreada. O todo pelo todo. Datas vermelhas dos aniversários, Pompas de mármore, árduos monumentos E pompas de palavra, parlamentos, Centenários e sesquicentenários, São apenas a cinza, a menor flama Dos vestígios de uma antiga chama. De A moeda de ferro (1976) A soma Ante a cal de uma parede que nada nos impede de ver como infinita um homem assentou-se e premedita traçar com rigorosa pincelada na alva parede o universo cabal: portas, balanças, tártaros, jacintos, anjos e bibliotecas, labirintos, âncoras, o infinito, o zero, Uxmal. Povoa de formas a parede. A sorte, que curiosos dons reparte o gosto, permite-lhe dar fim a sua porfia. No momento preciso de sua morte descobre que essa vasta algaravia de linhas é a imagem de seu rosto De Os conjurados (1985) Alexandre Pilati é doutor em literatura brasileira e poeta, autor de Prafóra (7Letras, 2007) Fonte: Correio Braziliense, 30.05.2009
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A sombra, a partir do que de relance vimos acima, estende-se como um estigma sobre os versos do argentino e se configura como um dos signos fundamentais dos livros de poemas do "tempo de madureza" do Borges poeta. Tais livros agora são reunidos no volume Poesia — Jorge Luis Borges (2009), que integra a coleção Biblioteca Borges, da editora Companhia das Letras. Seja bem-vinda esta edição bilíngue que reúne sete livros de poesia do autor, publicados originalmente entre 1969 e 1985. A edição dá sequência ao projeto de publicação das obras do bruxo portenho e, de modo especial, completa uma mirada ampla sobre sua poesia, estabelecendo um contraponto à já publicada Primeira poesia (Companhia das Letras, 2007), que apresenta uma reunião de livros de poemas publicados nos anos 1920. No contraponto, entre as frestas dos versos, quando postas especularmente face a face, madureza e juventude poética revelam dois Borges que vivificam o problema do qual sua poesia é a mais inquietante configuração. Um problema no seu caso enfrentado com o talento e a coragem que separam o grande autor do mistagogo.
